Polícia: advogada foi morta por homem que tirou da cadeia em 2009

Cesar Barros da Silva, conhecido como `Alemão¿, teve a pena por roubo, tráfico e homicídio reduzida em 20 anos pela advogada morta

Lectícia Maggi, iG São Paulo |

Lecticia Maggi, iG São Paulo
"Alemão", suspeito de ser o mentor da morte da advogada
O delegado Antonio José Pereira, da delegacia de Mairiporã, na Grande São Paulo, afirmou nesta terça-feira que a advogada criminalista Adriana Souza dos Reis, de 33 anos, foi morta em uma emboscada na Estrada da Roseira a mando do homem que conseguiu tirar da cadeia em 2009. Segundo a polícia, Cesar Barros da Silva, de 32 anos, conhecido como ‘Alemão’, tinha uma pena de mais de 50 anos por roubo, tráfico e homicídio.

Contratada por ele, Adriana conseguiu rever os processos e unificar as penas, com a promessa de que receberia R$ 10 mil para cada ano da pena diminuído. O total foi reduzido para 20 anos. E como já havia cumprido parte da condenação, ‘Alemão’ foi solto, mas só pagou R$ 30 mil dos R$ 300 mil que devia. Pereira afirmou que os dois chegaram a um acordo e ele se comprometeu a pagar R$ 150 mil, mas decidiu não quitar a dívida.

“Ela era uma advogada muito destemida e corajosa. Foi para cima dele e ameaçou cobrar a dívida judicialmente. Os próprios colegas de prisão chegaram a ameaçar o ‘Alemão’”, afirmou Pereira ao dizer que a advogada já havia defendido outros presos e era respeitada por eles.

Para cometer o crime, segundo o delegado, 'Alemão' se aliou a Ronaldo Roberto Sumaris, que aceitou participar da emboscada por ter uma dívida com ‘Alemão’. Ronaldo teria entrado em contato com César Barros da Silva, Flávio de Jesus Nascimento e Charles de Lima Santos, que segundo a polícia, foi o executor dos disparos que matou a advogada. Para César, Flávio e Charles, o pagamento pelo assassinato seria um carro Siena que foi o carro usado na emboscada.

Charles, de 31 anos, e Ronaldo, de 40, estão presos preventivamente. Já 'Alemão', Flávio e César seguem foragidos.

De acordo com Ademar Gomes, da Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo (Acrimesp), de onde Adriana fazia parte, os R$ 150 mil que ela receberia seriam usados na quitação de um apartamento. "Somente em 2009, 12 advogados foram mortos no Estado de São Paulo, em casos ligados ao trabalho que exerciam."

A emboscada

Arquivo Pessoal
Adriana em foto publicada em rede de relacionamentos na internet. Para família, ela vivia fase ótima
Segundo a polícia, Flávio e Charles se passaram por clientes e ligaram para advogada, que estava jantando em um shopping da capital paulista com o namorado Renato, pedidndo para liberar uma moto em Mairiporã. Eles marcaram o encontro na Praça do Fórum de Franco da Rocha.

O plano, explica Antonio José Pereira, era entrar no carro de Adriana e matá-la. No entanto, eles não contavam que o namorado estaria com ela. "O plano falhou e eles pediram para acompanhá-los até o local onde estaria a moto quando o segundo plano entrou em ação. Eles entraram em uma rua sem saída. Um deles desceu do carro, que foi o Chalres, e atirou três vezes", afirma o delegado.

O namorado de Adriana também foi atingido, mas o celular que segurava desviou o percurso da bala. Pereira acrescenta que três dos suspeitos, incluindo Alemão, estavam no Siena e outro em um terceiro veículo também presente na cena do crime.

Investigação

Lecticia Maggi, iG São Paulo
Celular que salvou a vida do namorado de Adriana
A polícia trabalhou com duas linhas de investigação: o rastreamento do celular de onde partiu a ligação para Adriana e a posse do Siena, que foi queimado após o assassinato. Como não havia previsão de incendiar o veículo, a queixa do roubo somente foi dada depois de alguns dias, levantando suspeitas. "Ronaldo veio dar queixa do roubo na delegacia e entrou em contradição. Primeiro disse que parou o carro em uma rua de Barueri e depois que teria vendido. Não me convenci", explica o delegado.

No mesmo dia, foi dada a voz de prisão ao suspeito. Por meio dele, a polícia chegou até os outros supostos envolvidos. Na casa de Charles, o delegado afirma ter apreendido um fuzil, um colete da PM e um revólver calibre 38 que passará por perícia para saber se foi dele que partiram os tiros.

Depoimentos

Durante depoimento, o delegado afirma que os dois suspeitos se mantiveram calados. Na saída da delegacia, nesta terça-feira, Charles falou rapidamente com a imprensa e negou participação no crime. "Não conheço a advogada. Não fui eu. Sou pobre e por isso estou aqui. Só tenho passagem por porte", disse de dentro da viatura policial.

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