Polícia quer saber se incidente que paralisou a Linha 3 - Vermelha tem relação com depredação da estação Guaianazes da CPTM

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou, por meio de nota, que a Delegacia do Metropolitano instaurou inquérito policial, sob comando do delegado Valdir Oliveira Rosa, para apurar as causas do incidente que ocorreu no metrô de São Paulo, na manhã desta terça-feira.

A Linha 3 - Vermelha, que vai da estação Palmeiras/Barra Funda, na zona oeste, até a Corinthians/Itaquera, na zona leste, ficou parada das 7h50 até as 10h30. Usuários se acumularam nas estações e houve tumulto dentro e fora dos vagões. Pelo menos 150 mil pessoas foram prejudicadas.

O objetivo da investigação, segundo a SSP, é saber se há alguma relação entre o incidente desta terça-feira e a depredação parcial da Estação Guaianazes da CPTM, ocorrida em 15 de setembro, também investigada pela Delegacia do Metropolitano.

Dois homens que participaram da depredação da estação foram identificados por meio de imagens das câmeras de segurança e indiciados por dano ao patrimônio público.

Após uma manhã de caos, nesta noite, o Metrô informou que a operação já está quase normalizada, com 80% da frota da linha em operação. A velocidade ficou reduzida por conta da chuva, mas não há mais atrasos entre as paradas das estações.

As linhas que partem do Parque Dom Pedro II em direção à zona leste estão com frota 20% maior. Além disso, segundo o Metrô, foi criada especialmente para hoje uma linha de ônibus com 20 veículos que seguem do Parque Dom Pedro II para a zona leste pela Radial Leste.

Incidente ou crime?

Durante a inauguração da Estação Tamanduateí do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na Mooca, zona leste da capital paulista, o governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), também cobrou investigação . "Nós vamos fazer uma sindicância para saber o que aconteceu, se foi um ato acidental ou se foi um ato sem acidente, um ato motivado", disse.

Ao lado do prefeito da cidade, Gilberto Kassab (DEM), Goldman enfatizou que o Metrô vai fazer um estudo técnico urgente a respeito do episódio. "Nós vamos também chamar a polícia de São Paulo para uma investigação, para saber se houve alguma coisa além de um simples acidente", afirmou.

Caos e trens danificados

Segundo o Metrô, 17 trens ficaram danificados, sendo que a maioria teve os vidros quebrados. Alguns ainda estão me manutenção e só devem voltar a circular na quarta-feira.

Conforme os usuários, por conta da parada, a energia foi cortada pela companhia e, sem o funcionamento do ar condicionado, não havia circulação de ar dentro dos vagões. Muitas pessoas passaram mal por conta do calor e precisaram ser socorridas. 

A secretária Cristiane Martins Rodrigues Barbosa, de 30 anos, contou ao iG que ficou quase uma hora dentro de um vagão entre as estações Penha e Carrão. “Ninguém sabia direito o que estava acontecendo. Entrei naquele vagão às 8h05 e fiquei lá dentro até 8h50”, relata. ”Por volta das 8h30 eles desligaram a energia do metrô e o calor ali dentro ficou insuportável. Muitas pessoas começaram a passar mal. Foi quando um dos passageiros quebrou o vidro e saímos pela janela quebrada”, diz. Leia aqui outros relatos de passageiros

Causas do incidente

Segundo o diretor de operações do metrô, Conrado Grava de Souza, o maquinista de um dos trens percebeu que a sinalização indicava que uma das portas estava aberta. O trem parou e um funcionário foi verificar a composição, constatando que havia uma blusa presa na porta do último vagão, o que impedia que ela fechasse por completo.

O metrô afirma que, simultaneamente, diversos usuários acionaram o dispositivo de emergência e as portas foram abertas. Como os passageiros estavam fora dos trens, a energia precisou ser cortada para evitar acidentes.

Por conta da demora em razão deste primeiro incidente, passageiros dos outros trens começaram a quebrar vidros e também acionaram os dispositivos de emergência. Para evitar acúmulo de usuários, as estações da Linha 3 foram fechadas. O serviço só foi normalizado às 10h30.

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