PM garante escoltas, mas caminhoneiros têm medo de represália

Sindicato diz que motoristas não deixam bases porque aderiram à greve, definida em assembleia com 450 pessoas

Fernanda Simas, iG São Paulo |

A Polícia Militar (PM) de São Paulo afirmou que realiza escoltas aos caminhões que distribuem combustível na capital paulistana, mas explicou que muitos caminhoneiros estão optando por não sair das bases por medo de sofrer represálias dos sindicatos que decidiram pela greve desde a segunda-feira (5). Segundo o major da PM Marcel Soffner, durante esta terça-feira, apenas seis escoltas foram realizadas.

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“Podemos e devemos, e é o que estamos fazendo, dar garantia para que o caminhão saia da base e vá até os pontos de abastecimento. Mas caminhões não estão saindo porque o sindicato está ameaçando”, explicou Soffner. O sindicato ao qual se refere é o Sindicam-SP (Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de São Paulo), que optou pela greve.

AE
Com greve, caminhões que saem das bases de distribuição de combustível são escoltados

De acordo com o sindicato, por meio de sua assessoria de imprensa, os motoristas não saem das bases porque aderiram à greve e não porque temem represália. O Sindicam-SP informou que a categoria decidiu em assembleia com 450 pessoas no domingo (4) realizar a paralisação. A entidade disse ainda que não está vinculada a centrais sindicais e que não possui integrantes filiados a partidos.

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O major contou que as escoltas aos caminhões serão feitas de acordo com um critério: primeiro será garantido o abastecimento para os serviços essenciais, que inclui a PM, o Corpo de Bombeiros, as ambulâncias e o serviço de tráfego. Em seguida, vem o abastecimento para os transportes urbano e aeroviário e por fim o abastecimento para o consumidor (nos postos de combustível).

Reunião

Nesta terça-feira, foi montado um gabinete de gerenciamento de crise para definir esses critérios e como autoridades policiais do Estado agiriam diante da greve instalada. A reunião contou com representantes da PM, do policiamento rodoviário, do policiamento de choque, da SPTrans e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

“Se depender da PM, não faltará combustível, mas não depende só da PM. Essa reunião foi para uma tomada de decisão em conjunto. Temos condições de darmos as escoltas, mas o Sindicam, pivô dessa crise, está tentando sensibilizar seus integrantes”, afirmou Soffner.

A SPTrans informou, por meio de nota, que os ônibus não devem ser afetados pela falta de combustível poque "a maioria das empresas que presta serviço de transporte coletivo na cidade possuem transporte próprio de combustível". Sobre as empresas e cooperativas que não possuem transporte próprio, a nota diz que elas terão a escolta da PM para o reabastecimento.

Ação

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Procuradoria Geral do Município, entrou com uma medida cautelar na Justiça contra o Sindicam-SP e o Setcesp (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região) para garantir o abastecimento da cidade. A ação pede que uma multa diária de R$ 1 milhão seja aplicada.

Arquivo pessoal
Preço da gasolina comum aumenta em São Paulo
Aumento do preço

Durante a terça, o preço do combustível aumentou em diversos postos da cidade. O motoboy Danilo de Siqueira contou que precisou percorrer sete postos antes de conseguir abastecer.

Quando conseguiu, gastou mais de R$ 20 para colocar sete litros de gasolina comum em sua moto, em um posto BR.

A reportagem do iG esteve no mesmo posto, no cruzamento das ruas Rui Barbosa com Manoel Dutra, na Bela Vista, centro da capital, e constatou o aumento . Aumento visto também em outros bairros da cidade.



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