Doze estudantes foram retirados e levados para o 14º DP, em São Paulo. A ocupação era considerada ilegal pela universidade

Doze pessoas foram retiradas de uma moradia estudantil ocupada desde 2010 na Universidade de São Paulo (USP) na madrugada deste sábado. Os estudantes foram colocados em um ônibus e levados para o 14º Distrito Policial. Entre os envolvidos está uma adolescente de 17 anos e uma grávida de 8 meses. Eles ocupavam o bloco G do Conjunto Residencial (Crusp) que a reitoria havia transformado em departamento de Coordenador de Assistência Social.

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Prédio em que houve a reintegração estava ocupado desde 2010
O grupo foi surpreendido pela ação de mais de cem policiais iniciada às 5h30 ainda antes do amanhecer. No local, vivem cerca de 45 pessoas, mas a maioria não estava presente durante o domingo de carnaval. Os doze ocupantes não resistiram fisicamente, mas insistiram para ver a documentação o que, segundo colegas, não teria ocorrido. Outros estudantes de moradias regulares fizeram menção de impedir a reintegração e a polícia usou balas de borracha contra os edifícios.

O grupo detido tem seis mulheres, entre elas a adolescente de 17 anos e outras duas namoradas de moradores, e seis homens. No ônibus também foi levado o cachorro Bobo, que morava no local.

No 14º Distrito Policial, cerca de 15 estudantes da USP aguardam o processo contra os colegas. A advolgada Ana Lúcia Marchiori disse que o mandado de reintegração de posse foi expedido no dia 17, sexta-feira. "Foi feito de propósito para que a ação fosse feita no fim de semana e evitar a repercussão", afirmou.

A adolescente está em uma cela separada e será liberada. O cachorro foi entregue aos demais estudantes e permanece na porta do 14º DP. Os demais responderão por desobediência e danos ao patrimônio. "Só que não havia perito para atestar os danos ao patrimônio e não houve resistência", defende a advogada.

Ainda segundo Ana Lúcia, foi fixada fiança no valor de um terço de salário mínimo por pessoa detida.

Histórico

Em dezembro do ano passado, o reitor João Grandino Rodas expulsou seis alunos que participaram dessa ocupação . Segundo a reitoria, eles foram, entre outras coisas, responsabilizados pelos prejuízos causados.

Logo em seguida houve a retomada do Diretório Central Acadêmico ocupado, que servia também de local de reuniões para o movimento. A ação ficou marcada pela violência de um policial contra o estudante Nicolas Menezes .

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