Pista não é encontrada em carro de parceira de suspeito

Foragido da polícia desde 2009 é o principal suspeito de assassinar adolescentes no interior de SP. Ele teve prisão decretada

AE |

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A polícia científica de Guaratinguetá, em Sâo Paulo, realizou na tarde desta quarta-feira, em Cunha, onde duas estudantes foram encontradas mortas na última segunda-feira, 28, uma perícia no carro da namorada do principal suspeito do crime, Ananias dos Santos. Segundo o delegado titular da cidade, Marcelo Vieira Cavalcanti, nada foi encontrado e o carro foi devolvido. 

A mulher, de 50 anos, mantinha envolvimento com Santos há cerca de um ano e teve sua prisão provisória negada nesta terça-feira, pela Justiça. "Ela se comprometeu em colaborar com as investigações e colocou-se à disposição da polícia", disse Cavalcanti. A suspeita é que ela, com ciúmes das irmãs, tenha sido a motivação para o crime cometido pelo seu companheiro. 

Em depoimento prestado à polícia na tarde de ontem, ela teria confirmado, segundo o policial, que Ananias dos Santos teria dormido em sua casa, que fica próximo à casa das estudantes mortas, na quarta-feira, dia em que elas desapareceram. "É um fato estranho porque, em um ano de namoro, essa foi a primeira vez que ele dormiu na casa", afirmou o delegado.

As investigações sobre o caso continuam e a polícia vem checando todas as pistas sobre o suspeito, que ainda não foi localizado. "Todos os indícios apontam para ele, mas ainda não podemos confirmar se ele realmente matou as meninas", explicou o delegado.

Motivação

Uma paixão não correspondida por Juliana teria motivado a morte dela e a da irmã, segundo informações da polícia. Os corpos das meninas foram enterrados na manhã de terça-feira, sob olhares de cerca de 1.500 pessoas.

Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), Santos, suspeito do crime, é natural de Cachoeira Paulista, interior do Estado, e já foi condenado por evasão, formação de quadrilha, roubo, porte ilegal de armas e constrangimento ilegal.

Ele estava preso na Penitenciária de Tremembé, mas, em março de 2009, se beneficiou de uma saída temporária para a Páscoa e não retornou à cadeia. Nesta quarta-feira, a foto dele é a principal da seção de Foragidos do site da Polícia Civil do Estado.

A polícia considera que o sentimento de Santos por Juliana teria motivado uma crise de ciúmes entre ele e a mulher com quem vive, de 50 anos. A delegada Sandra Maria Vergal, da Seccional de Guaratinguetá, considera que Santos teria matado a garota para provar seu amor à companheira, que, enciumada, o teria incentivado a cometer o crime.

O suspeito mantinha relações de amizade com a família das vítimas e, segundo a polícia, não cometeu o crime sozinho. "Acredito que ele tenha tido ajuda de alguém. As meninas devem ter ido a pé até o local onde foram encontradas, que era de difícil acesso", disse Sandra.

A delegada pediu a prisão dele e da mulher. Contudo, a Justiça entendeu que não há indícios, até o momento, da participação da suposta namorada nas mortes e aceitou apenas o pedido de prisão contra Santos.

O caso

Josely e Juliana foram vistas pela última vez na tarde de quarta-feira (23) após pegaram um ônibus para voltar da Escola Estadual Paulo Virgílio, onde estudavam, localizada no centro do município.

O pai das jovens costumava encontrar as filhas, todos os dias, por volta das 18h45, em uma estrada de terra, onde elas desciam do coletivo, e acompanhá-las até em casa. Contudo, na quarta-feira, ao chegar ao ponto, o ônibus já havia passado e as adolescentes não estavam. Desde o registro do desaparecimento, policiais realizaram buscas pela região com o auxílio de cães farejadores e do helicóptero Águia da Polícia Militar.

Segundo a polícia, o suspeito contou a familiares ter vistos os corpos e eles avisaram a polícia. Na segunda-feira (28), os corpos foram localizados em um local de mata fechada na Estrada da Samambaia, no Bairro Jacuí, zona rural da cidade.

As meninas estavam vestidas e tinham marcas de tiros. Josely foi atingida por dois projéteis (na cabeça e no peito) e, Juliana, por quatro (três na cabeça e um no peito). Exames do Instituto Médico Legal (IML) não constataram estupros, mas amostras foram colhidas e passarão por uma análise mais detalhada.

Na casa do pai do suspeito a polícia encontrou uma arma que também foi enviada para análise.

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