Passageiros da Gol têm problemas com conexão em Guarulhos

Usuários da companhia área reclamam da perda de compromissos profissionais e de passeios nas férias. Funcionários prometem greve

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

José Fazzerei Neto, de 53 anos, servidor público federal, e a mulher Firmina Fazzerei, de 57 anos, dentista, viram os planos que fizeram de passar a terça-feira na Ilha de Marajós, no Pará, ir pelos ares. O voo da Gol que estava previsto para as 3h55 desta terça-feira em Teresina (PI) só decolou às 5h30. Como já sabiam que perderiam a conexão que fariam em Fortaleza (CE) com destino à capital paraense, foram orientados pela companhia aérea a ir para São Paulo. “Aqui ficamos 2h parados em frente ao check-in falando a cada 10 minutos com os funcionários para ter algum tipo de informação”, reclamou Firmina, que, por fim, obteve a informação de que seriam reacomodados em um voo para o final da tarde. Com uma bermuda e sandálias – visivelmente despreparada para o frio da capital paulista –ela disse que “teve sorte” de ter uma blusa na mala de mão. O passeio de barco do casal foi forçadamente trocado por um dia no Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo.

E não é somente em São Paulo que clientes da Gol continuam a ter problemas por conta de atrasos e cancelamentos.

Foi o caso de Jurema Torres, de 42 anos, comerciante, e Luís Torres, de 51, empresário. O atraso de 1h30 no voo que tinham em Fortaleza (CE) fez com que perdessem a conexão, marcada para as 11h15, de Guarulhos para Blumenau (RS). Abalada pela situação, a comercialmente chegou a chorar e disse que os dois perderiam um compromisso profissional às 14h: “não tem informação nenhuma, mandam a gente de um lado para outro”. Já Torres discutiu com uma funcionária da Gol, que tentava explicar-lhe a situação. “Vocês vendem passagens demais e não têm horários suficientes”, brandava ele, que, acompanhado da comerciante, saiu à procura de um voo em outra companhia aérea. “Se eu encontrar, vocês serão obrigados a me pagar”.

Lecticia Maggi, iG São Paulo
Os representantes comerciais Manuel Belford (à esquerda) e Pedro Ramos reclamam de atrasos
Com menos resistência, mas não menos indignação, o casal que estava no mesmo voo de Torres e Jurema, Júlio Monte, de 32 anos, administrador, e Kelmany Monte, de 29, contadora, aceitaram ir para o aeroporto de Congonhas, na zona sul paulista, para pegarem um voo às 16h20 com destino ao Rio Grande do Sul. “Perdemos um dia de férias”, lamentou Kelmany. “É brincadeira, um absurdo”, completou o marido, antes de sair apressadamente para não correr o risco de perder também este novo voo.

Em situação desconfortável estavam ainda os representantes comerciais Manuel Belford, de 33 anos, e Pedro Ramos, de 46. Os dois perderam a conexão de Guarulhos para Blumenau e, segundo eles, receberam a proposta se seguirem para o Rio de Janeiro, onde seriam reacomodados em um voo com partida prevista somente às 22h40. Na manhã de quarta-feira, os dois têm uma reunião de negócios. “Dependendo da hora que chegar vou tomar um energético e vou assim mesmo na reunião, com os olhos esbugalhados”, brincou Belford, mas completando com uma ameaça: “se não derem outra solução, vou botar na Justiça, não tenho culpa para ficar rodado em aeroporto”.

Na tarde de segunda-feira, a Gol se manifestou e disse que os incidentes eram reflexo do intenso tráfego aéreo de sexta-feira (30), com a volta das férias, que fez com que algumas tripulações atingissem o limite de horas trabalhadas previsto na regulamentação da profissão.

Em nota, a empresa afirmou que "continua trabalhando para normalizar o tráfego aéreo da companhia e disse também que “acionou tripulantes extras e destacou equipes de monitoramento nos aeroportos”.

Greve

Funcionários da Gol marcaram uma paralisação de 24h para o próximo dia 13 de agosto, onde devem reivindicar melhores salários, plano de saúde, fim do excesso de jornada e assédio moral. A presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA), Selma Balbino, disse que a iniciativa dos funcionários, além de ser resultado dos problemas internos da Gol, também está relacionada à lenta fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Anac.

"Não podemos esquecer que as multas aplicadas pelo MTE e ANAC são tão baixas, que acabam se tornando um incentivo ao desrespeito à legislação trabalhista e à regulamentação profissional", defendeu.

Agência Estado
Passageiros na fila de check-in da Gol, nesta terça-feira, no Aeroporto de Congonhas

*Com informações da Agência Estado

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