'Parece um tsunami no asfalto', diz caminhoneiro

Vítimas de acidente na Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo, relatam como foi o engavetamento de 300 veículos

Fernanda Simas, iG São Paulo |

"Parece um tsunami no asfalto". É assim que o caminhoneiro Moisés Santos, de 42 anos, que há 22 circula por rodovias de todo o País, classifica o acidente na Rodovia dos Imigrantes, na tarde desta quinta-feira. Até as 18h40, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Rodoviária haviam confirmado um morto e 29 feridos.

Segundo Santos, não havia nenhuma sinalização na rodovia sobre o acidente. "Isso é um descaso. Ninguém informou nada sobre reduzir velocidade. Do meu acidente até o primeiro caminhão batido dá uns 5 minutos de diferença de caminhada. A concessionária não avisou sobre acidente à frente. Quem sinalizou que havia acidente foram outros motoristas", conta ao iG . Ele conseguiu estacionar o caminhão no acostamento, mas o veículo foi atingido por outros que não conseguiram parar.

O caminhoneiro também afirma que o primeiro resgate só chegou 45 minutos depois. "A gente que saiu dos caminhões e foi ajudando as pessoas a atravessar a pista e a ficar no canteiro central porque lá na frente estava tudo pegando fogo. Estou cansado. Tenho família. Quero ir para casa descansar."

O também caminhoneiro Cristiano Rufino da Silva, de 37 anos, diz que "ganhou uma outra chance de viver". "A gente que vive na estrada sempre ganha outra chance. Nunca vi um nevoeiro tão forte nesta parte da estrada. E só existe comboio para descer e não para subir. Acredito que agora isso vai mudar."

A consultora comercial Vanessa de Catro, de 32 anos, mora na Praia Grande e trabalha no ABC Paulista. Ela trafega pela rodovia todos os dias. "Foi muito rápido. Era caminhão em cima de caminhão e eu só ouvia barulho de freios ao meu lado", diz ela. "Pensei por um segundo que tinha conseguido frear, mas com todo barulho de freios e explosões saí correndo que nem louca do carro, desesperada, porque achei que ia explodir tudo. Atravessei a pista e fiquei na pista contrária. Ouvia bebê chorando. Tinha muita gente emocionada. Parecia o último dia do apocalipse. Meu maior medo era um caminhão explodir ou alguém me atropelar. Não fiquei apavorada, fiquei ligeira. Era o instinto de sobrevivência."

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