Parada Gay lota Av. Paulista e cobra lei anti-homofobia

Evento foi marcado por reivindicações pela aprovação do projeto de lei que criminaliza o preconceito contra homossexuais

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Uma multidão ganhou nesta tarde a Avenida Paulista para a 15ª edição da Parada do Orgulho Gay. O desfile - considerado o maior do gênero em todo o mundo - precorreu a avenida recheado de trios elétricos, carros decorados, e pessoas fantasiadas. Políticos, líderes do movimento gay e representantes da sociedade civil marcaram presença no evento. Este ano, a parada foi marcada por cobranças pela aprovação do projeto de lei que criminaliza a homofobia, tema de polêmica no Congresso Nacional.

O evento teve recorde de público, com 4 milhões de pessoas, segundo organizadores.  Entre os participantes da Parada Gay deste ano, estão o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab (sem partido), da senadora Marta Suplicy (PT-SP), a ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, além da cantora Preta Gil, eleita diva do evento.

O tema do projeto de lei nº 122 de 2006 pautou a entrevista coletiva concedida pelos organizadores logo antes do desfile. Na ocasião, Marta Suplicy adiantou que existe uma negociação no Congresso para substituir o texto que está atualmente em discussão, de forma a chegar a um acordo pela aprovação.

O ativista Tony Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais e Travestis (ABGLT), entretanto, disse que a comunidade homossexual está cansada de esperar as negociações no Congresso e, caso o PL 122 não seja votado, rapidamente vai apelar para uma série de medidas judiciais junto a Supremo Tribunal Federal. No fim do ano passado, o STF aprovou o reconhecimento da união civil entre pessoas do mesmo sexo.

“Queremos aprovar o conteúdo do PL 122, mas sem o nome PL 122”, disse Marta. De acordo com ela, já existe um acordo com setores da bancada evangélica e as negociações com representantes da igreja católica estão avançadas. A mudança de nome do projeto serviria para driblar a rejeição criada pelos setores conservadores. “Os representantes de setores que são contra demonizaram tanto o PL 122, por tantos anos, que agora fica difícil explicar para os fieis que há um acordo”, disse Marta.

Segundo ela, a estratégia também prevê que o novo texto seja apresentado por um representante dos setores conservadores. A principal mudança em relação ao texto atual está no artigo 20º, que prevê pena de até 3 anos de reclusão para quem “praticar, induzir ou incitar a discriminação”. No projeto em negociação a punição seria restrita a quem “induzir a violência”. “Muda bastante porque passa a ser necessário provar que houve indução. É difícil mas quem faz essas coisas vai saber que se abusar terá que arcar com isso. O que importa é o resultado”, disse Marta.

‘Sem paciência’

De acordo com o presidente da ABGLT, a comunidade perdeu a paciência. “Não queremos consenso na Câmara. Queremos que coloquem logo em votação. Se não vamos fazer Adins ( ações diretas de inconstitucionalidade ) e ADPFs ( arguições de descumprimento de preceito fundamental ) e levar ao Supremo”, disse.

A declaração acontece três dias depois de pastores evangélicos terem ameaçado boicotar políticos que votarem no Congresso a favor do PL 122 durante a Marcha para Jesus, que reuniu 1 milhão de pessoas em São Paulo na última quinta-feira. Durante a coletiva o deputado Jean Willys (PSOL-RJ), disse que depois do reconhecimento da união civil, o movimento gay deve lutar pelo direito do casamento civil entre homossexuais.

A presidenta Dilma Rousseff foi alvo de críticas por ter dito que o kit anti-homofobia produzido pelo Ministério da Educação e retirado das escolas após pressão da bancada evangélica é “propaganda homossexual”. “Infelizmente o processo foi todo mal encaminhado”, disse Marta.

Ocorrências

Às 18h15, quando o último trio já havia desligado o som na Praça Roosevelt, a Polícia Militar contabilizava apenas um caso de furto e três de posse de drogas. "Sem dúvida está bem mais tranquilo do que no ano passado. Acho que a chuva atrapalhou. Muita gente foi embora quando a chuva apertou", disse o tenente-coronel Sidney Alves. Os detidos foram encaminhados ao 4º DP, na Consolação, e ao 78º, nos Jardins.

Ao contrário de outros eventos, a Polícia Militar não fará uma avaliação de público da parada para evitar divergências com os organizadores.

*Com informações Agência Estado

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