Parada Gay leva milhões a avenida em SP

14ª Parada GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) tem público estimado de 3,2 milhões de pessoas

iG São Paulo |

Com tema político, mas sem a presença dos candidatos à Presidência, a 14ª Parada GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) começou neste domingo com cerca de uma hora de atraso, por volta das 13h, na avenida Paulista, em São Paulo. A via foi totalmente tomada pelo participantes, a maioria fantasiada - principalmente com as cores do Brasil.

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Público toma a avenida Paulista. Manifestante questiona "qual a cor do amor?"

O Hino Nacional em ritmo eletrônico abriu a festa. O público seguiu em caminhada para a rua da Consolação e, depois, para a Praça Roosevelt, onde ocorre tradicionalmente o encerramento.

Das 12h30, quando a parada começou oficialmente, até as 17h, quando os últimos carros de som desciam a Rua da Consolação, a polícia não havia registrado nenhuma ocorrência grave. Apenas pequenos furtos e problemas relacionados à bebida alcoólica em excesso. A Parada Gay de São Paulo é hoje a maior manifestação do tipo no mundo, segundo o Livro dos Recordes.


Voto pela diversidade

Em ano de eleição, o tema da Parada Gay é “Vote contra a Homofobia: Defenda a Cidadania”. “Votar contra a homofobia é dizer um basta às imposições de uma classe conservadora, que defende valores arcaicos, baseados unicamente em interesses próprios e sem visão democrática”, afirma Alexandre Santos, o Xande, presidente da Associação da Parada.

Ao contrário da tradicional bandeira do arco-íris, que simboliza a diversidade, este ano os trios elétricos estão decorados principalmente com as cores preto e branco. A organização disse que a fase de "buscar visibilidade já passou" e que o movimento gay busca neste ano "atuar direto" frente aos Governos nacional e regionais por reivindicações.

“Temos de pressionar os políticos por leis mais rígidas para a questão da violência contra os gays”, afirmou Patricy Guimarães, uma das participantes do evento. “Acho positivo a gente pedir respeito dos candidatos. Para mim, basta que eles cumpram o que está na Constituição”, disse Paulo Silveira, que acompanhou a parada na porta de um banco na Avenida Paulista.

A artesã Daniele Belchior, que trabalha desenvolvendo produtos para o público gay, tenta pela quarta vez comercializar seu artesanato na Parada. Parte de seus produtos deste ano foi confiscada pela Guarda Municipal, mas a outra, como canecas estampadas com um arco-íris, era vendida por até R$ 5.

Por dois anos, Daniele, que diz já ter sofrido muito preconceito no Brasil por sua opção sexual, também trabalhou numa parada semelhante que é realizada na Espanha. “Acho que aqui é muito carnaval. Não tem nada político. Eles podem propor o que for, mas aqui não adianta. Em Valência (Espanha), onde eu morava, era bem mais político. Lá eles lutam por seus direitos e têm muitos mais direitos do que aqui”, afirmou.

Acompanhado pela mulher e seus dois filhos, Arnon Thalemderg, morador da capital, decidiu ir à Avenida Paulista para que as crianças pudessem “conhecer a diversidade e aprender a respeitá-la.

“Acho que [isso vem] da educação preconceituosa dos pais que não aceitam coisas diferentes do modo de vida deles. Os pais não precisam concordar com tudo o que as outras pessoas fazem, mas devem aprender a respeitar isso. E é isso que temos que passar para os nossos filhos. Eles podem ser do jeito que quiserem, mas precisam saber respeitar os diferentes”, afirmou.

Confira as imagens do evento:

Segurança reforçada

A Parada Gay é o evento que mais reúne turistas na cidade e a expectativa é que este ano eles deixem cerca de R$ 190 milhões no município. O investimento da Prefeitura em infra-estrutura e segurança, que ano passado foi de R$ 600 mil, este ano subiu para R$ 1 milhão.

A festa trouxe novidades na questão de segurança. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), um helicóptero Águia voava sobre a parada utilizando o recurso Dawn Link - uma câmera de alta resolução que grava e transmite imagens para os postos de comando. A Polícia Militar (PM) contou com 1.300 policiais em 120 viaturas de apoio, ao longo do percursso. Na Paulista, os agentes fizeram o policiamento a pé.

 *Com informações da Agência Brasil e Agência Estado

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