Parada Gay deste ano pode ser a última na Av. Paulista

Organização do evento, o maior do gênero no mundo, enfrenta pressões para deixar a avenida-simbolo da capital paulista

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

A 15ª edição da Parada Gay de São Paulo, a maior do mundo com estimativa de 3,5 milhões de participantes, pode estar se despedindo neste domingo da Avenida Paulista. Segundo o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o Ministério Público Estadual considera a parada um "evento em trânsito".

"Segundo o Ministério Público, que é quem regulamentou os eventos na Avenida Paulista, é um evento em trânsito. Nesse termo ajustado pelo MP entre todos os agentes públicos, não só a prefeitura, ficou claro que a Paulista não poderia ter um número excessivo de eventos tal é a nescessidade de ações preventivas por conta dos hospitais que existem na região. Essa é a razão para a redução do número de eventos. A avenida, que tinha inúmeros eventos, hoje tem a Parada Gay, o Reveillon e a São Silvestre", disse Kassab.

Questionado se a parada vai deixar a Paulista, Kassab foi evasivo: "O termo ajustado com o MP permitia a parada. Se mudar... Até este momento é permitido", disse.

Futurapress
Público começou a chegar à Paulista durante a manhã, para participar do desfile deste domingo

 Este ano, a organização da Parada Gay pretende receber um público ainda maior que no ano passado, quando mais de 3,3 milhões de pessoas compareceram à Paulista. Desde cedo, o público já enchia a avenida na manhã deste sábado, para o desfile previsto para ter início no começo da tarde.

Nos últimos dois anos o MP tem se manifestado a favor da pulverização da parada em vários eventos em locais separados como o estádio do Morumbi e o Sambódromo do Anhembi. É o MP que, por meio de um termo de ajustamento de conduta firmado com a prefeitura e a organização do evento, estipula as condições para realização da parada.

Segundo Claudinei Hidalgo, diretor da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (Apogblt), a organização não recebeu até hoje qualquer comunicado sobre a possibilidade de mudança do local do evento. "Não estamos sabendo de nada. Já houve várias sondagens para que a parada mudasse de lugar mas até agora são apenas suposições", disse Hidalgo.

De acordo com ele, uma possível mudança vai prejudicar o impacto do evento. "Essa pressão existe desde a primeira parada. Para nós é muito importante que seja a maior do mundo. Para nós e para São Paulo. Se mudar pode diminuir o público já que dificultaria o acesso e acomodação dos participantes. Na Paulista tem tudo. Sistema de transporte, rede hoteleira, proximidade com o centro da cidade", afirmou.

AE/ANDERSON BARBOSA
Parada Gay de São Paulo é a maior do mundo
Representantes das associações de donos de bares, restauranres e hotéis também já se manifestaram a favor da manutenção da parada na Paulista. O evento movimenta cerca de R$ 190 milhões só na rede hoteleira paulistana.

O tema da parada deste ano é "Amai-vos uns aos outros", em protesto contra o discurso das igrejas. A expectativa dos organizadores é que fatos recentes como a decisão do Supremo Tribunal Federal de liberar a união civil entre pessoas do mesmo sexo e os ataques violentos a homossexuais levem um número recorde de participantes ao evento.

"Temos muito a comemorar neste ano com a liberação da união civil mas também não podemos deixar de protestar contra a onda agressões e homofobia", disse Hidalgo. Segundo ele, a parada fará uma homenagem aos jovens gays que foram agredidos com cacos de lâmpadas na própria Avenida Paulista no ano passado. Em vez do tradicional arco íris, símbolo universal da diversidade sexual, o último carro alegórico terá um arco branco com uma tarja preta.

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