Para advogado da família de menina morta por jet ski, suspeito deve ir à 'Febem'

Segundo advogado, adolescente suspeito de pilotar o jet ski deve responder por ato infracional e os responsáveis legais, civil e criminalmente

Fernanda Simas, enviada a Bertioga |

AE
Mãe da menina Grazielly morta após ser atingida por um jet ski
O advogado da família de Grazielly Lames, 3 anos, que morreu depois de ser atropelada por um jet ski no último sábado em Bertioga , quer saber se houve omissão de socorro por parte do adolescente que estaria no jet ski e de sua mãe.

"Queremos saber se no momento em que mãe de Grazielly estava com a criança no colo, esperando pelo helicóptero [Águia], eles estavam fugindo", afirmou o advogado José Beraldo.

Delegado: Mãe de adolescente que pilotava jet ski pode ser processada por fugir

Segundo Beraldo, teria havido autorização para que o adolescente de 13 anos pegasse o jet ski e por isso ele deseja que o inquérito policial seja concluído como homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar).

"Esta comprovado que esse adolescente infrator, aliás meu desejo é que ele fosse para a antiga Febem para pensar no que fez, estava inclusive usando colete salva-vidas", disse Beraldo.

O advogado explicou que o garoto responde por ato infracional, podendo sofrer desde uma advertência até uma internação. "Mas o responsável legal que deu permissão, emprestou o jet, é responsável criminal e civilmente."

Para Ariel de Castro Alves, vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o dolo eventual pode ser configurado caso o adolescente estivesse fazendo manobras arriscadas no meio dos banhistas e em alta velocidade, "uma conduta abusiva e imprudente".

"Sendo homicídio doloso, o adolescente pode receber um medida socioeducativa de semi-liberdade ou até internação. Para aplicar a medida socioeducativa o Judiciário leva em conta o que é mais adequado para um adolescente com respaldo familiar e sem antecedentes infracionais, como parece ser no caso", explica Alves.

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Na tarde desta quinta-feira, os pais de Grazielly prestaram depoimento na delegacia de Bertioga. "Queria que a mãe dele colocasse o filho dela no lugar do minha filha e aí ela saberia o que é sofrimento", disse a mãe de Grazielly, em entrevista coletiva.

“Se tivesse tido socorro mais cedo, certamente eu estaria com a minha filha”, completou. Ela afirmou que a família do adolescente não entrou em contato e não prestou nenhum tipo de socorro, mas confia na Justiça.

Uma testemunha ocular do caso, que possivelmente gravou um vídeo do momento do acidente, deve depor nesta sexta-feira em Bertioga.

Beraldo também quer saber por parte da Capitania dos Portos como é feita a fiscalização no local. Ele foi assistente de acusação no julgamento de Lindemberg Alves, condenado pela morte de Eloá Pimentel .

Investigação

De acordo com delegado Maurício Barbosa Júnior, que investiga a morte de Grazielly Almeida Lames , a polícia já tem a comprovação de que a mãe do adolescente estava com ele na casa de Guaratuba e fugiu com o garoto após o ocorrido . Câmeras de segurança do condomínio na praia registraram a saída.

"Ela (mãe) pode responder por favorecimento pessoal por ter sido vista saindo da casa com o filho, mas isso é na esfera jurídica", afirmou Júnior.

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