¿Os gays querem privilégios¿, diz líder do DEM

Vereador critica criação de Centro de Informações Turísticas (CIT) para gays e diz que um prefeito ¿tem que governar para todos"

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

O vereador Carlos Apolinário (DEM) não se importa em causar polêmica e nem em se indispor com o prefeito Gilberto Kassab (DEM). Em menos de dois meses, é a segunda vez que o líder do partido na Câmara dos Vereadores se posiciona contra ações voltadas para homossexuais aopiadas pela prefeitura de São Paulo. Em 23 de março, Apolinário apresentou um projeto de lei para vetar a realização da 14ª Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) na avenida Paulista, dias depois da passeata ser confirmada para o dia 6 de junho. “A CUT e a Marcha para Jesus foram tiradas da Paulista porque o Ministério Público entende que ali não é um local para grandes reuniões. É um corredor que leva a diversos hospitais. Agora, gay é uma categoria que deve ter direitos que os outros não têm?”, critica, em entrevista ao iG. 

Reuters
Questões homossexuais são polêmica em São Paulo
Na última quarta-feira, Apolinário voltou a provocar indignação entre gays ao criticar a criação do Centro de Informações Turísticas (CIT) para homossexuais no local conhecido como Casarão Brasil, um centro da comunidade LGBT localizado na rua Frei Caneca, 1057, no centro da capital paulista. 

Inaugurado no dia 17 de abril, Dia Internacional da Luta Contra a Homofobia, o centro é a primeira iniciativa do tipo no País e feita em parceria entre a São Paulo Turismo (SPTuris), o São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB), a Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (Cads) e a Associação Brasileira de Turismo para Gays Lésbicas e Simpatizantes (Abrat-GLS). 

“Se os homossexuais e a ONG instalada lá quisessem fazer um centro de referência por conta própria é um direito deles. Agora, a Prefeitura não pode assumir um espaço dando privilégio a uma atividade. É a mesma coisa que criar um centro de informações só sobre evangélicos ou macumba”, afirma ele, que é integrante da Igreja Assembleia de Deus e o mais influente da bancada dos vereadores evangélicos na Câmara. 

O presidente da organização da Parada Gay, Alexandre Santos, chegou a dizer que havia sinais de homofobia na fala do vereador e que ele não enxergava os avanços conquistados pela categoria. Apolinário nega ser homofóbico: “meu cabeleireiro é gay, um amor de pessoa. Quando chego ao salão, ele me beija no rosto”. O vereador, no entanto, defende que o Centro de Informações deveria atender a todos. “Pode ter informações para o público gay, mas quem quiser saber sobre museus ou outros pontos turísticos também deveria ir ali”. 

Lucro colorido

Para a Prefeitura, o público gay é rentável e não pode ser ignorado. Não há dados sobre quantos turistas LGBT vêm por ano a São Paulo, mas somente na Parada Gay de 2009, segundo dados da São Paulo Turismo (SPTuris), eles movimentaram cerca de R$ 189 milhões na economia do município. Pelo menos 400 mil pessoas eram de fora da cidade de São Paulo, o que fez com que os hotéis da região da avenida paulista atingissem 70% de ocupação. 

Segundo a SPTuris, a expectativa é que a Parada Gay deste ano injete R$ 196 milhões na cidade. “São Paulo é a cidade que mais recebe turistas no País. E para manter tal índice, nosso objetivo é cada vez mais personalizar o atendimento”, afirma o presidente da São Paulo Turismo (SPTuris), Caio Luiz de Carvalho, destacando que cada vez mais os destinos querem atrair o turista gay. “Ele é sofisticado, apreciador da cultura e das compras e um dos que mais gasta. E São Paulo já é naturalmente a cidade da diversidade”, afirma. 

Atualmente, há na cidade de São Paulo apenas outros seis centros turísticos, segundo a SPTuris, e dois que funcionam conforme a realização de alguns eventos específicos. Isso reforça, para Apolinário, a necessidade de locais de informação que atendam toda a população e não um público específico. 

Apolinário e o prefeito

Além de ter mantido a Parada Gay na avenida Paulista, Gilberto Kassab assinou uma portaria que autoriza os órgãos municipais a colocarem nos crachás e formulários os nomes adotados por travestis e transexuais. Questionado se não tem medo de se indispor com o prefeito, quem vem adotando políticas pró gays, Apolinário é categórico: “todos os projetos do prefeito eu defendo e voto a favor. Respeito e trabalho por ele, mas não abro mão daquilo que penso. Ele tem direito de fazer e eu de discordar. Eu não tenho homofobia, convivo bem com gays. O que discuto são os privilégios que eles querem ter”.

    Leia tudo sobre: gaysSão Paulo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG