Organizadores da Marcha da Maconha planejam nova manifestação em SP

Neste sábado, manifestação foi reprimida pela Polícia Militar e houve confusão por ruas da capital paulista

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Os organizadores da Marcha da Maconha planejam fazer uma manifestação pela paz no próximo sábado na avenida Paulista, em São Paulo. Neste sábado, a Polícia Militar reprimiu com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha a manifestação depois de fechar um acordo com os organizadores, pelo qual a marcha, proibida pela Justiça , seria liberada desde que trocasse a maconha pela liberdade de expressão e as referências à droga fossem ocultadas. Veja abaixo imagens do protesto:

Segundo a estudante Gabriela Moncau, integrante do coletivo Desentorpecendo a Razão (DAR), os organizadores da marcha vão se reunir no vão livre do Masp às 19h de quarta-feira para definir os próximos passos do movimento.

“A proposta é fazermos uma marcha pela paz e contra a violência policial saindo do Masp às 14h de sábado”, disse ela.

A Marcha da Maconha em São Paulo foi proibida pelo quarto ano consecutivo por ordem da Justiça. O desembargador Teodomiro Mendes, do Tribunal de Justiça de São Paulo, deferiu uma liminar a pedido do Ministério Público alegando que a marcha seria apenas um pretexto para o uso público de entorpecentes.

AE
Polícia usa balas de borracha e bombas de gás para conter manifestantes
Os manifestantes decidiram então trocar o lema “maconha” por “liberdade de expressão” e encobrir com fita isolante as referências à erva. A PM aceitou o acordo mas pouco depois atacou os manifestantes.

As bombas atingiram motoristas que trafegavam na pista contrária à manifestação, alguns com crianças à bordo, jornalistas que cobriam o evento e pessoas que andavam pela calçada.

Acionada pelo iG às 17h30 de sábado, a assessoria de imprensa da PM ainda não respondeu quais foram os motivos da ação violenta, já que existia um acordo. Em conversar extra-oficiais, fontes da Secretaria de Segurança Pública disseram que os manifestantes teriam descumprido o acordo.

O advogado da marcha, Raul Ferreira, disse que a PM rompeu o trato. “Respeitamos o acordo e encobrimos todas as referências à maconha. A PM não fez a parte dela e quebrou o acordo de maneira inconcebível em uma democracia”, afirmou.

Embora vários manifestantes tenham deixado a marcha com hematomas e ferimentos leves, nem todos reclamaram da violência policial. Em uma reunião improvisada com cerca de 20 remanescentes da marcha em um canteiro da rua da Consolação, no Centro, o sociólogo carioca Renato Cinco, que foi candidato a deputado federal pelo Psol em 2010, comemorou a violência.

“A repressão policial é benéfica à nossa causa. Isso que aconteceu hoje (sábado) certamente terá repercussão nacional e internacional”, disse ele.

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