Operação da polícia esvazia Cracolândia, em São Paulo

Durante um mês, os policiais se infiltraram entre os usuários de drogas e gravaram imagens para identificar os traficantes

AE |

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Mais de 50 policiais civis realizaram uma operação na Cracolândia, região central de São Paulo, no início desta madrugada, para prender traficantes de drogas. A Rua dos Gusmões, geralmente repleta de viciados nesse período do dia, ficou vazia. Cinco adultos e uma adolescente foram detidos.

Durante um mês, os policiais se infiltraram entre os usuários de drogas e gravaram imagens para identificar os traficantes. Os investigadores escolheram um trecho onde, em todas as madrugadas, há intenso movimento de compra e consumo de crack: a Rua dos Gusmões, entre a Rua Santa Ifigênia e a Avenida Rio Branco.

As viaturas chegaram de surpresa por volta da meia-noite e bloquearam a rua quando cerca de 300 usuários, desde crianças até idosos, perambulavam pelo local. A polícia temia que os usuários reagissem em massa. No entanto, quando os viciados perceberam que o alvo eram apenas os traficantes, não ofereceram resistência.

Quatro mulheres e um homem foram presos em flagrante por tráfico, além de uma adolescente, autuada por ato infracional. A polícia também apreendeu 70 pedras de crack, algumas porções de maconha e R$ 2 mil em espécie.

"Estamos determinados a intensificar as operações contra os traficantes da Cracolândia", disse o delegado Marcos Galli Casseb, titular do Setor de Investigações Gerais da 1ª Delegacia Seccional. Casseb afirmou que manterá agentes naquele trecho nas próximas noites para evitar a chegada de novos vendedores de drogas.

Lixo

Após a ação, garis começaram a varrer os montes de entulho e lixo deixados para trás. "É toda noite assim. Hoje a gente limpa, depois vai pra casa descansar e na noite seguinte tá tudo sujo de novo. Durante a fissura, os viciados rasgam os sacos de lixo em busca de objetos de valor", disse um gari de 33 anos, que preferiu não se identificar.

Ele trabalha há um ano durante a madrugada naquele quarteirão e disse que nunca sofreu ameaças dos usuários de crack. "A gente não está aqui para prejudicar (os usuários e traficantes), então não costuma ter problemas", contou. Entre o lixo acumulado, havia muitas placas eletrônicas, frutas estragadas, isqueiros, brinquedos quebrados, revistas masculinas e cartelas do remédio paracetamol.

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