'Operação da Cracolândia é da PM', diz chefe do Denarc

Wagner Giudice diz que adaptou o trabalho do departamento na região à realidade criada pela operação da qual não foi informado

Ricardo Galhardo, iG São Paulo | 16/01/2012 20:10

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Foto: AE Ampliar

O chefe do Denarc, Wagner Giudice, em 2006

“A operação é da Polícia Militar”, disse, em entrevista ao iG, o chefe do Departamento de Investigações Sobre Narcóticos da Polícia Civil de São Paulo, delegado Wagner Giudice.

Embora seja o principal responsável pelo combate às drogas no Estado, Giudice não foi informado sobre a ação da PM na região da Cracolândia e teve que adaptar o trabalho de um ano no local à nova realidade criada pela operação.

Na semana passada, diante de críticas, as autoridades adotaram o discurso de que a ação na Cracolândia foi coordenada e envolveu diversos setores dos governos estadual e municipal.

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Embora não tenha sido avisado com antecedência, Giudice não poupa elogios à iniciativa. Segundo ele, a ação da PM no local facilita o combate ao tráfico. “É o começo do fim da Cracolândia”, disse. Leia os principais trechos da entrevista:

iG - O consumo de crack é maior do que o de cocaína?

Wagner Giudice - Não. Acredito que sejam equivalentes. Meio a meio.

iG - Então porque o crack causa um dano social maior?

Giudice – O crack tem um poder viciante terrível. Ele degrada a pessoa. O viciado rompe muitas barreiras da vida social dele até que vai morar na Cracolândia e vira um completo excluído. A cocaína, não. A pessoa consegue conviver com ela. Para alguns pode ser uma droga recreativa.

iG - A Cracolândia passou a ter uma atenção especial depois da operação?

Giudice - A Cracolândia é uma coisa que sempre me incomodou pessoalmente muito e no ano passado fizemos 200 prisões lá. Apreendemos 120 quilos de crack lá dentro ao longo do ano. Foram diversas pequenas prisões. A gente já tinha um trabalho em desenvolvimento. Depois que a PM fez a incursão estamos adaptando nosso trabalho a essa nova realidade.

iG - O senhor informado anteriormente sobre esta operação?

Giudice - Eu não.

iG - E não seria o caso, já que o senhor é o responsável pela área de narcóticos da polícia?

Giudice - Eu não cuido só disso. Cuido do Estado de São Paulo inteiro. Isso foi uma operação da Polícia Militar. Estávamos trabalhando há um ano lá. Já tínhamos prendido muita gente, identificado muita gente. Temos nossos caminhos lá. Não somos novatos na Cracolândia.

iG – Qual o impacto da operação da PM no trabalho do Denarc?

Giudice - Nossa condição de abordagem ficou muito melhor. Agora eles andam em cinco ou seis pessoas. Antes eram 200. Nossas equipes não são batalhões. São três ou quatro policiais. Ficou melhor para a gente fazer a abordagem embora tenha espalhado. O serviço de inteligência vai ter que ser maior.

iG - Algumas pessoas dizem o contrário. Dizem que antes ficava concentrado e por isso era mais fácil saber onde estavam os traficantes.

Giudice - Fica mais concentrado mas eu pergunto: e para chegar lá? Eles são muito agressivos. É igual torcida organizada. Sozinho o indivíduo é uma pessoa. Em grupo vira vândalo. Muitas incursões nossas foram rechaçadas lá dentro. Eles até mordiam os policiais. Era um horror.

iG – O crack subiu na escala de prioridades do Denarc depois da operação?

Giudice – Não só no Denarc mas na administração toda. Estamos trabalhando muito em cima disso por conta dessa operação da PM.

iG – Qual sua opinião sobre a operação?

Giudice - Houve polêmica mas é uma operação importante. Não importam as discussões paralelas. É lógico que a polícia vai receber muita crítica. Vai ser uma experiência paulista, paulistana. Quando comecei a trabalhar na Cracolândia me disseram que eu estava enxugando gelo. Respondi que se não enxugarmos o gelo acaba virando uma poça de lama. A Cracolândia não volta mais. É o começo do fim da Cracolândia.

<span>Usuários permanecem na esquina das ruas Apa e General Marcondes Salgado, conhecida por Biricolandia</span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <span>PM revista usuários de crack na Rua General Marcondes Salgado</span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <strong>Publicidade</strong> <span>Usuário revira lixo na Rua Helvétia</span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <span>Antigos abrigos de viciados, na Rua Helvétia, foram desocupados pela polícia </span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <span>Uma pessoa fantasiada circula pela Rua Helvétia</span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <span>Estabelecimentos na Rua Helvétia</span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <span>Viciado consume crack na Rua Conselheiro Nebias</span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <span>Usuário fuma crack na Rua Helvétia</span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <span>Na imagem, cachimbo usado para fumar pedras de crack</span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <span>Chuva não atrapalha e usuários se aglomeram na região das ruas Dino Bueno e Helvétia, no centro de SP</span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <span>Alguns usuários se tornam agressivos após notar a presença da imprensa. Na foto, viciado na rua General Marcondes Salgado</span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <span>Detalhe de um muro na rua Helvétia, uma das mais movimentadas na Cracolândia</span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <span>Com a presença do helicóptero Águia da Polícia Militar, movimento é mais tranquilo nas ruas da Cracolândia</span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <span>Abordagem da Polícia Militar em usuários de crack na rua General Marcondes Salgado</span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <span>Viciada mostra cachimbo utilizado para consumir o crack, na rua Helvétia</span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <span>Pai da Cracolândia segura panfleto com direitos civis distribuídos pela Defensoria Civil </span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong> <span>Usuários caminham na Alameda Barão de Limeira</span> - <strong>Foto: Frâncio de Holanda</strong>


 

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