Reportagem do iG ouviu histórias de moradores de rua que detalharam a rotina de quem está em situação de rua. Veja os relatos.

Quase seis meses depois de elaborado, a Prefeitura de São Paulo divulgou na última terça-feira o Censo 2009 de moradores de rua. São 13.666 pessoas em situação de rua – um crescimento de 57% nos últimos dez anos. Para especialistas, a falta de política pública alimenta esse crescimento. Há aqueles que afirmam que o número do censo – apesar de alarmante – é menor do que a realidade. Para alguns, apenas na cidade de São Paulo, já são 18 mil moradores de rua .

Pessoas de realidades diversas e levadas para as ruas por motivos diferentes. A reportagem do iG ouviu a história de quem vive as angústias, o medo e as humilhações por morar na rua. Muitas vezes pessoas invisíveis para a sociedade .

Retrato de São Paulo onde mais de 13 mil pessoas estão em situação de rua
Eduardo Bandelli
Retrato de São Paulo onde mais de 13 mil pessoas estão em situação de rua
VEJA OS RELATOS DOS MORADORES DE RUA

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O censo, feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostra que a maioria dos moradores está no centro da cidade, especialmente na região da Sé, mas até mesmo em bairros considerados nobres na capital paulista – como Jardim Paulista, Moema e Vila Leopoldina – a indústria da miséria deixa suas marcas. Veja relatório completo

“A prefeitura só deixou de fazer. Cancelou programas, fechou vagas em albergues, retirou agentes das ruas”, afirma Robson César Mendonça, ex-morador de rua e atual presidente do Movimento Estadual da População em Situação de Rua em São Paulo.

Para a secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social e vice-prefeita de São Paulo, Alda Marco Antonio, a prefeitura tem atuado. A secretária destacou que a cidade tem 41 Centros de Acolhida e 15 Centros de Referência da Criança e do Adolescente.

Alda ressaltou o trabalho realizado nos Espaços de Convivência do Parque Dom Pedro criados para atender aos moradores de rua durante o dia. São tendas que funcionam como um pré-albergue, local para aqueles que não aceitam ir para albergues. “Em breve estaremos inaugurando mais três unidades similares, nos bairros de Santa Cecília, Mooca e Bela Vista”, afirmou.

A verdade é que estão pelas calçadas, dormindo em praças ou debaixo de viadutos, nas mais diversas regiões da cidade, um número de pessoas que supera o total de habitantes de mais da metade dos 645 municípios paulistas.

(*com informações da Agência Brasil)

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