Nos ofenderam por sermos gays, diz outro jovem agredido em SP

Operador de telemarketing não vê ligação com grupo de skinheads em agressão na av. Paulista: "O comum é a intolerância sexual"

Márcio Apolinário, iG São Paulo |

nullOs dois jovens que foram agredidos na avenida Paulista, região central de São Paulo, na madugada do último sábado, prestaram depoimento na tarde desta segunda-feira no 5º Distrito Policial.

De acordo com o operador de telemarketing Gilberto Tranquilino da Silva, as agressões foram feitas por um grupo de seis pessoas, sendo duas meninas, e motivadas por homofobia. “Eu e meu amigo estávamos voltando de uma balada GLS de mãos dadas quando fomos abordados por esse grupo. Eles começaram a gritar ofensas por sermos gays”, afirmou ele, que desconsiderou a possibilidade de se tratar de  um grupo skinheads.

“Eles não possuíam nenhum padrão de roupas, nem visual tradicional de skinheads. A única coisa que tinham em comum com esse tipo de gente é a intolerância sexual", afirmou. 

Outro jovem agredido, que não quis se identificar, contou como foram as agressões: “quando chegamos na Paulista começamos a ouvir ofensas e um jovem de cabelo espetado loiro começou a me bater. Meu amigo foi buscar ajuda e eu fiquei apanhado. Este jovem me deu uma voadora e uma série de socos. Neste momento, eu desmaiei".

Os agredidos disseram não ter medo de sair na rua. “Este caso me deu mais vontade de viver, não tenho vergonha, nem medo de sair na rua, muito menos de dizer que sou gay”, disse Tranquilino. "Acredito que, mostrando minha cara e falando o que aconteceu, esse tipo de crime possa parar de acontecer”.

Para o delegado responsável pelo caso, José Matallo Neto, essas agressões não têm vínculo com as anteriores. Na manhã do dia 14 de novembro, um grupo de cinco jovens (quatro menores de idade e um maior identificado como Jonathan Lauton Domingues, de 19 anos), foi acusado de agredir ao menos quatro pessoas na avenida Paulista.

“A única coisa que esses dois casos tem em comum é a intolerância e a covardia. Vamos investigar e achar esses agressores. Temos que deixar claro que aqui a lei será cumprida”, afirmou.

O delegado adianta que as vitimas serão encaminhadas à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), para verificarem o arquivo de fotos de pessoas que já cometeram este tipo de crime. “Vamos começar do zero e este será nosso primeiro passo”, afirmou.

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