'Ninguém presenciou o tiro', diz advogado da família de estudante

Polícia realizou a reconstituição da morte de Miguel Ricci dos Santos, de 9 anos, no Colégio Adventista de Embu (SP)

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

Após cinco horas, terminou por volta das 16h20 desta terça-feira a reconstituição da morte de Miguel Cestari Ricci dos Santos , de 9 anos, ocorrido em 29 de setembro de 2010 dentro do Colégio Adventista de Embu, na Grande São Paulo. Segundo o advogado da família da vítima, Ademar Gomes, a reconstituição foi feita com base nas investigações da polícia sobre a morte da criança, sem que ninguém tivesse presenciado o momento do disparo. O delegado Carlos Alberto Ceroni e a promotora Flávia Helena Teixeira saíram da escola sem dar declarações. O caso corre em segredo de Justiça.

Miguel morreu ao levar um tiro a queima roupa supostamente disparado, sem intenção, por um colega de classe, de 10 anos.

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Peritos da Polícia Civil realizam a reconstituição nesta terça-feira
Gomes afirma que, segundo a versão trabalhada pela polícia, as aulas já haviam acabado quando quatro crianças pediram para ir beber água. Duas ficaram no bebedouro enquanto Miguel e o outro garoto teriam entrado na sala de aula. O menino teria mostrado a arma a Miguel quando ela disparou.

Apesar dos indícios, os pais do suspeito negam que tivessem arma em casa. A criança, de 10 anos, que já foi ouvida por psicólogos afirma que estava brincando no pátio no momento do disparo. "Não teve ninguém que presenciou o tiro. Se alguma criança viu, ela ocultou a verdade. As professoras chegaram minutos depois."

Segundo o advogado, os pais do suspeito poderão ser indiciados por homicídio culposo e porte ilegal de arma.

Suspensão da guarda

Diante da negativa dos pais do suspeito em admitir ter arma, o delegado Ceroni, da Seccional de Taboão da Serra, enviou um ofício à Vara da Infância e Juventude de Embu pedindo a suspensão do poder familiar, ou seja, a guarda da criança. O documento foi enviado em outubro de 2010, mas só chegou ao conhecimento da família da vítima na última semana.

Um dos trechos do ofício diz que "possivelmente a criança não relata o que ocorreu por medo dos pais". "Percebemos que a criança não se sente protegida a contento e ainda prefere contar uma outra história, fato que demostra que os pais sabem do ocorrido e não querem expor o que sabem ou a criança, por muito medo da reação dos seus pais, em razão da educação que estes lhe aplicam, prefere não contar. (...) Eles adotaram postura de defesa logo de início preocupando-se em não serem apontados pela omissão de cautela na guarda da arma de fogo e pelo crime de homicídio, deixando de lado o espírito de proteção que deveria ser conferido ao filho que efetuou o disparo acidental." Com esta justificativa, o delegado alega que houve abuso do poder familiar e descumprimento dos deveres inerentes ao pai.

Omissão

A família de Miguel permaneceu ao lado de fora da escola durante toda a reconstituição e por diversas vezes se queixou da falta de assistência por parte do colégio e pelo fato dos pais do garoto negarem o incidente. "Os pais precisam responder a processo e se responsabilizar para que isso não aconteça com outras pessoas", afirma a mãe Roberta Cestari.

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Família de Miguel Cestari dos Santos levou cartazes à reconstituição do incidente que matou o garoto, de 9 anos

A avó paterna de Miguel, Leticia Quincas Ricci, de 49 anos, diz que a "revolta" seria menor se alguém admitisse o erro. "Se os pais viessem, conversassem com a gente, pedissem desculpas, ia ser só uma fatalidade", afirma.

Em frente à escola, a família colocou dois cartazes. Um de homenagem: "Miguel, toda família chora por você, jamais o esqueceremos. Saudade imensa. Chamamos." O outro de protesto. "Não deram a mínima chance de vida ao nosso Miguelzinho. Por que não falam a verdade? O que representa uma criança para esta escola? Só uma mercadoria?"

Por meio de nota, a escola afirma que não se pronuncia sobre o caso porque está em segredo de Justiça, mas que está colaborando com as investigações.

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