"Não vou pedir a absolvição dele", diz advogada de Lindemberg

De acordo com a advogada de defesa, o acusado errou e "deve pagar por isso, mas na medida do que ele efetivamente fez"

Carolina Garcia, iG São Paulo |

A advogada de defesa de Lindemberg Alves, Ana Lúcia Assad, reforçou em sua tese que o acusado de matar a ex-namorada em outubro de 2008, em Santo André, é responsável por parte dos crimes que é acusado, mas que deve pagar apenas por aqueles que admitiu cometer. "Não vou pedir a absolvição dele. Ele errou, tomou as decisões erradas e deve pagar por isso, mas na medida do que ele efetivamente fez", afirmou em sua exposição. Antes disso, no último dia de julgamento , a promotoria apresentou sua tese de acusação .

AE
A advogada de defesa de Lindemberg nesta quinta-feira

A advogada disse que Lindemberg agiu com culpa consciente, mas não previu o resultado. Ela pediu que ele seja condenado pelos crimes culposos. "Peço que os senhores condenem o Lindemberg pelo homicídio culposo, pois ele não desejou o resultado. Ele sofre pela morte dela", afirmou.

Para a advogada, o réu ainda deve pagar pela lesão corporal culposa de Nayara, pelo cárcere apenas de Eloá - já que os outros poderiam deixar o apartamento - e pelos disparos de arma de fogo contra o pátio, mas não contra o sargento da PM. "Ele não teria visão para ver o policial da janela de o banheiro", disse ela.

A advogada reforçou os bons antecedentes de Lindemberg antes do crime. “Ele tem um perfil genioso, mas é uma pessoa calma, de bem. Um menino trabalhador, único filho homem e que sustentava a sua casa. Ele não é como qualquer homem de Brasília que desvia dinheiro e prejudica muitas pessoas”.

Para a defesa, deve ser considerado o comportamento do réu dentro do presidio. “Ele estuda, trabalha e frequenta cultos evangélicos. Eloá foi o grande e único amor da vida dele. Em três anos e quatro meses de prisão, ele nunca recebeu uma visita íntima”.

Ana Lúcia Assad causou certo descontentamento da plateia presenta a sessão ao falar sobre a personalidade de Eloá. “A Eloá era bonita, mas com um gênio difícil. Ela talvez deixou a situação mais difícil do que já estava”, disse.

Em sua tese, a advogada afirmou que o erro de Lindemberg pode ser comparado com outros os equívocos no caso. “Todos cometeram erros e é humano errar. A imprensa errou, a polícia errou e a perita também errou na inscrição das armas no laudo. Tentaram transformar Lindemberg num monstro frio, praticamente um anticristo”, disse.

O erro da imprensa teria sido cometido pela insistência que tentavam falar com o apartamento em que era feito o cárcere. “O telefone não parava de tocar e colocou a situação em nível de extremo. Ele precisava de um tempo para pensar e não conseguiu, A imprensa não deu tempo para ele”.

"Enxerguem esse rapaz como um parente dos senhores, pois ele não é bandido", pediu ela aos jurados. "Esperamos que os senhores saiam daqui com a certeza de terem tomado a decisão certa".

Fila do público

Alguns populares e de movimentos de combate a violência chegaram a dormir na porta do fórum de Santo André para garantir lugar no plenário. Esse foi o caso de Sandra Domingues, de 44 anos, e Lucilene Isabel, de 49. Elas acompanharam os três dias de julgamento e consideraram que, por estar próximo do fim, aumenta a curiosidade e a movimentação de populares.

Carolina Garcia
Sandra Domingues e Lucilene Isabel na fila para acompanhar o julgamento
"Queria garantir meu lugar e acompanhar o desfecho dessa história. Me surpreendi com a atuação de Lindemberg ontem. Ele foi um ator", julgou Simone, integrante da União em Defesa das Vítimas de Violência (UDVV). Ana Cristina, mãe de Eloá, faz parte da organização.

Por volta das 7h15, a fila para o público tinha 60 pessoas - número maior se comparado aos outros dias no mesmo horário. Cartazes foram colocados pelos manifestantes nas grades do fórum. Frases de ataque a Lindemberg e como "Ana Cristina, estamos com você" e "Eloá, descanse em paz", estão nos cartazes.

Carolina Garcia
Cartazes colocados na grade em frente ao fórum de Santo André, nesta quinta-feira

Outros dias

O júri popular do crime contra a jovem de 15 anos, ocorrido em outubro de 2008, começou nesta segunda-feira. No primeiro dia, testemunhas que participaram do cárcere de mais de cem horas foram interrogados . O segundo dia foi marcado pelos depoimentos dos irmãos de Eloá e por discussões e ameaças da defesa do réu . O dia mais esperado do júri foi esta quarta-feira, quando o réu falou pela primeira vez sobre o caso . Em outras oportunidades que teve de dar a sua versão, em depoimento para delegados e na fase de instrução do processo, ele tinha ficado calado.

Leia também:

Depoimento de Lindemberg: "Quero pedir perdão para a mãe dela"
Lindemberg confessa que matou Eloá e nega tentativas de homicídio

Réu: Lindemberg fica nervoso durante depoimento de amigo de Eloá
Crime: relembre o caso Eloá
Advogado: "Ele tinha intenção de matar"
Mãe: "A Justiça é a condenação dele", afirma mãe de Eloá
Transplante: "Serei eternamente grata por esse gesto de amor"

Defesa:
"Ele é um bom rapaz, ingênuo", diz advogada de Lindemberg
'Para descobrir a verdade não precisa ter pressa', diz defesa de Lindemberg

Depoimentos:
Policial diz que disparo e frases motivaram invasão a apartamento de Eloá
Policiais dizem que PM não usou munição letal na invasão do apartamento de Eloá

Jornalistas dizem que foram orientados a não entrar em contato com Lindemberg
"Eloá era como minha segunda mãe", diz irmão mais novo
"Ele é um monstro, louco e agressivo", diz irmão de Eloá sobre Lindemberg
"Era certo que ele ia matá-la", diz Nayara sobre Lindemberg
Policial: "Eu estou vivo e matei a Eloá", disse Lindemberg ao ser rendido

Imagens:
Veja imagens do julgamento de Lindemberg Alves

Discussões: 
Defesa e promotoria discutem e julgamento do caso Eloá é suspenso
Advogada de Lindemberg afirma que juíza devia "voltar a estudar"
"Me senti humilhada", diz mãe de Eloá após discussão

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG