Não reconhecemos a pessoa do retrato, diz família de vítima

Pais e irmãos de Vanessa Duarte afirmam ao iG não conhecerem ninguém com as caractarísticas do homem do retrato falado

Márcio Apolinário, iG São Paulo |

A família da coordenadora de vendas Vanessa de Vasconcellos Duarte, de 25 anos, não reconhece o suspeito descrito no retrato falado divulgado pela Polícia Civil de Carapicuiba, nesta terça-feira, elaborado com base no depoimento de uma testemunha que a polícia civil ouviu. A jovem foi encontrada morta no último domingo, em Vargem Grande Paulista, na região metropolitana de São Paulo.

Divulgação
Retrato falado do suspeito de ter assassinado Vanessa Duarte
Um dos irmãos da vítima, Danilo Duarte, de 22 anos, disse ao ver o retrato falado, mostrado à família pela reportagem do iG , que aquela pessoa não fazia parte do círculo de amizades de Vanessa. A família ainda não tinha visto a imagem divulgada pela polícia. “Essa pessoa eu nunca vi na vida. Posso dizer que não fazia parte dos amigos que a família conhecia”, afirmou o assistente de inventário.

A mesma opinião foi dada por Viviane Duarte, irmã mais velha de Vanessa. “Ela era uma pessoa muito reservada, mas conhecíamos quase todos os amigos dela, e essa pessoa do retrato não lembra nenhum dos amigos próximos dela. Nunca vi!”, disse.

Mesmo estando muito abalados e não atendendo a reportagem, os pais da vítima também apresentaram a mesma opinião sobre o retrato falado, segundo relato do casal de irmãos.

De acordo com Danilo, a família ainda aguarda um posicionamento da polícia sobre as investigações. “A polícia tem passado pouca informação sobre o andamento do caso. A maioria das atualizações que temos vem da imprensa. Como esse retrato falado, que a gente nem sabia que estava sendo feito. Eles nem nos chamaram para prestar esclarecimentos e detalhar como foram os últimos dias dela. Nem ao menos quiseram saber se ela tinha falado para muita gente sobre esse curso de maquiagem que faria naquele dia. A imprensa está ajudando bastante para que possam achar esse monstro.”

nullO irmão afirma que, por ser muito reservada, a irmã não divulgou para muitas pessoas que ela estava matriculada no curso de maquiagem, que duraria um dia completo. “Eu mesmo não sabia que ela faria esse curso. Depois que aconteceu tudo isso eu fiquei sabendo que ela queria fazer esse curso para poder se automaquiar para o seu casamento que seria ainda este ano. E para maquiar nossa outra irmã, Valéria Duarte, que tem o casamento marcado para o mês de maio.”

Viviane de Vasconcellos relata que sua irmã era muito vaidosa e queria aprender a fazer maquiagem de forma profissional. “Tudo o que ela fazia ela queria que fosse da melhor forma possível. Era o orgulho da família. Tudo o que fazia era motivo de satisfação. Agora perdemos nossa boneca.”

O caso

O corpo da coordenadora de vendas foi encontrado no domingo, no km 41,5 da Rodovia Raposo Tavares, em Cotia, Grande São Paulo. Ela estava desaparecida desde que saiu da casa do noivo, em Barueri, também na região metropolitana, às 8 horas de sábado, para encontrar suas amigas e irem juntas a um curso de maquiagem, mas não chegou ao local combinado. O corpo foi achado no meio da mata, seminu e apresentando sinais de violência. Próximo ao corpo foram encontrados um preservativo e duas embalagens vazias.

TViG
Jovem iria se casar este ano
Na mesma manhã, as amigas estranharam a demora e tentaram achá-la. Um policial militar e dois amigos da coordenadora decidiram realizar buscas por contra própria. O carro que a jovem usava foi encontrado abandonado em Vargem Grande Paulista, também na Grande São Paulo, pela Polícia Militar. Uma moradora da região disse que viu quando o veículo foi deixado no local por um homem.

Segundo o noivo, Luiz Vanderlei de Oliveira, ele não havia estranhado o fato do telefone de Vanessa estar desligado. “Liguei e já deu caixa postal. Mas como eu não sabia de nada achei normal. Imaginei que ela deveria estar na aula e desligou o celular. Depois, as amigas disseram que ligaram para ela 9h20 e o celular estava desligado. Elas acharam estranho e depois de um tempo chamaram a polícia.”

De acordo com o relato do irmão, Danilo Duarte, a família da jovem estava em Curitiba, em um casamento de uma das primas de Vanessa, e ficaram sabendo da notícia por meio da polícia. “Todo mundo estava no Sul, e o noivo dela tinha emprestado o carro pra ela ir ao curso. No final da tarde, ele recebeu um telefonema da polícia dizendo que o carro dele havia sido encontrado com indícios de incêndio e abandonado em uma rodovia.”

Quando os policiais militares encontraram o veículo, havia um princípio de incêndio no banco do motorista. O fogo foi controlado pelos próprios soldados da PM. Dentro do carro, foi encontrada uma bolsa e havia também vestígios de sangue. O corpo de Vanessa foi encontrado em um matagal, próximo ao local de onde estava o carro.

Futurapress
Carro da jovem encontrada morta em matagal foi recuperado com pequeno foco de incêndio

As investigações

De acordo com a Polícia Civil, os assassinos da coordenadora de vendas podem ser pessoas que a conheciam. "Pelo modo como (o crime) foi cometido, não acreditamos em um simples sequestro", afirmou o delegado Zacarias Katzer Tadros, da Divisão de Homicídios de Santana de Parnaíba. "Trabalha-se com a hipótese de ser alguma coisa do relacionamento pessoal da vítima."

Desperta a atenção da polícia sobretudo a distância de sete quilômetros entre o local onde o corpo de Vanessa foi encontrado e o ponto em que estava o carro que ela dirigia. "O bandido, quando está numa situação dessas, quer se livrar rapidamente do que está na mão", observou.

Outro ponto que refuta a possibilidade de roubo é o fato de a vítima ter sido dominada no meio do trajeto, provavelmente em uma área habitada. "A tendência é que ela conhecesse a pessoa", acrescentou Tadros. Por isso, teria parado no caminho. A polícia já identificou três possíveis trechos para a abordagem dos assassinos.

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