“Não posso deixar dinheiro em casa e nem no banco”, diz vítima

Vítimas contam como se sentem após roubo de joias herdadas da mãe e avó. Especialista diz que lugar de joias e dinheiro é no banco

Carolina Garcia, iG São Paulo |

Após 19 dias do roubo aos 138 cofres do Itaú , na Avenida Paulista, o que mais perturba as irmãs Cristina Atallah Gabriel, Vera Lúcia Atallah Salem e Rose May Atallah Barbosa, que tiveram 34 joias de família levadas pelos criminosos, é a sensação de insegurança e dúvida sobre o que fazer com seus bens de alto valor.

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“Já tive arma apontada para a minha cabeça, fui vítima de roleta-russa e facas. Ser roubada no Itaú mostrou que não posso deixar dinheiro em casa e nem no banco”, desabafa Cristina dizendo que teve sua residência invadida por assaltantes cinco vezes nos últimos anos.

Cristina tem 64 anos e é uma antiga moradora do bairro dos Jardins, zona sul de São Paulo. Diferentemente das irmãs, segundo a própria, foi ela quem recebeu a notícia do roubo com mais calma e atribui isso à sua “infeliz experiência” com o crime. “Deixava os meus bens em casa e eles [os criminosos] já levaram tudo. Aí o que normalmente seria mais seguro [deixar as joias no cofre] deu no mesmo. Se deixar dinheiro em casa é loucura e no banco? Nem penso mais.”

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Desde 1969, a família Atallah mantinha um cofre particular na agência da Av. Paulista. Ao todo, as três irmãs relatam ter perdido mais de 30 peças de joias de família herdadas das coleções de sua mãe e avó. “O valor afetivo dos itens que perdemos é incalculável. Graças a Deus minha mãe não está viva para ver seus pertences levados”, explica Vera Lúcia, 67, a mais velha das irmãs.

A pedido do banco Itaú, as três irmãs se reuniram e criaram um catálogo com todas as joias que mantinham no cofre há pelo menos 30 anos. Vera Lúcia explica que a comunicação do banco tem sido “traumatizante” e sem nenhuma assistência aos clientes afetados pelo roubo. “A instituição não tem estrutura alguma para ligar com o acontecido. Ligo para o meu gerente e ele nem retorna minhas ligações. Isso é traumatizante”, conta.

Contato com o banco

Na quinta-feira (1), quatro dias após o roubo, Vera Lúcia recebeu a ligação do gerente da sua conta corrente informando que “houve um sinistro em meu cofre”. “Demorou para cair minha ficha e entender o que ele estava falando. Apenas lembro de sentir meu chão sumir”, explica. Cardíaca, Vera contou ainda que ficou dois dias na cama e precisou ser medicada para se acalmar diante da notícia.

Para Cristina, a tal demora na comunicação do banco foi uma grande falha. “O roubo foi em um domingo e o banco só nos comunicou na quinta-feira seguinte. A ausência de cuidados e zelo pelos clientes me fez crer que nunca verei as joias novamente. Sei que essa batalha já perdi”, lamenta.

A irmã mais nova é Rose May, 58, considerada a mais calada e reservada sobre o caso. Procurada pela reportagem do iG, afirmou estar ainda muito abalada com a situação e “arrependida por confiar no banco” já que dias antes, como tinha planos de viajar, resolveu guardar todas as joias no cofre do Itaú. “Temos que manter o assunto quente na imprensa. Caso contrário, seremos esquecidos”, defende.

Ação judicial

Já com a ajuda de um advogado, Vera Lúcia explicou que “como uma medida de desespero” provavelmente irá mover uma ação indenizatória contra o Itaú. Segundo ela, outras vítimas também acumulam reclamações contra o banco e decidirão juntos como e quando reagir. “Fizemos nossa parte ao fornecer ao banco tudo o que estava lá com fotos das joais e possíveis valores. Agora é a vez deles [do Itaú] de fazer algo”, explica.

Outro lado

Procurado pela reportagem, o banco Itaú manteve a posição de não se pronunciar sobre o caso. Segundo a assessoria, comentar sobre conversas entre gerentes e clientes ou até possíveis falhas significaria “invadir o sigilo da negociação”.

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