MPF denuncia quadrilha por tráfico internacional de drogas

A quadrilha tinha sede em São Paulo e usava o Brasil como rota para envio de cocaína para a Europa. A droga era levada em navios de carga e turismo

iG São Paulo |

O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo denunciou 29 pessoas por tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico. A maioria dos integrantes da quadrilha era oriunda da ex-República da Iugoslávia. Os acusados foram investigados na operação Niva, da Polícia Federal, que apreendeu 620 kg de cocaína e cerca de R$ 2 milhões, dinheiro gerado das transações do grupo.

A Justiça Federal desmembrou as denúncias relativas a esses réus e as remeteu para os Estados correspondentes. O MPF pede à Justiça que os réus sejam condenados como incursos nas sanções do artigo 35 e do art. 40 da Lei nº 11.343/06, que trata do tráfico internacional de drogas, com penas que podem chegar até 13 anos de prisão.

A organização criminosa tinha sede em São Paulo e usava o Brasil, país de posição estratégica, como rota de passagem de carregamentos de cocaína adquiridos em países da América do Sul, principalmente Bolívia, com destino à Europa e à África do Sul. Para isso, utilizava navios de carga e turismo.

A quadrilha operava em vários Estados brasileiros. Dos 29 denunciados, seis agiam no núcleo que operava no Espírito Santo e cinco agiam em Estados do norte do País. O núcleo do norte agia principalmente no Estado do Amazonas e, com ele, foram apreendidos 181 Kg de cocaína.

A investigação teve início a partir de informações encaminhadas pela agência inglesa “Serious Organized Crime Agency” (SOCA), que tratavam da investigação realizada na Sérvia, cujo objetivo era reunir elementos para desarticular e identificar os membros de uma organização criminosa voltada à prática de tráfico internacional de drogas para a Europa.

Transporte da droga

A droga era transportada por tripulantes dos navios, escondida em suas vestimentas ou mochilas e, também, por meio do método conhecido como “pescaria”, em que a cocaína era levada em lanchas até bem próximo ao navio ancorado, para ser então “pescada” para o interior por algum tripulante aliciado pela quadrilha. Os traficantes mantinham a empresa Kum Turismo, localizada no bairro dos Jardins, zona sul da capital paulista, como fachada para mascarar a origem do dinheiro.

Os integrantes do grupo eram procurados mundialmente pela periculosidade e potencialidade em crimes relativos ao tráfico de entorpecentes e têm seus nomes na “difusão vermelha” (lista de procurados) da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal).

Outro método utilizado pelos criminosos que atuavam no Espírito Santo era o de ocultar drogas em blocos de granito/mármore para enviar à Europa. Mas uma fiscalização da Polícia Federal descobriu o esquema e 179 pacotes de cocaína foram encontrados no interior das rochas, totalizando 158,7 Kg da droga.

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