MP vai investigar delegados que aparecem em vídeo de ex-escrivã

Corregedores aparecem em cenas que funcionária é despida durante depoimento sobre suspeita de suborno na polícia

iG São Paulo |

nullO Ministério Público Estadual de São Paulo (MP) instaurou, na noite de segunda-feira, um procedimento para apurar o caso da ex-escrivã da polícia que foi despida à força para ser revistada durante uma investigação de pagamento de suborno.

Um vídeo divulgado na sexta-feira mostra os delegados de polícia Eduardo Henrique de Carvalho Filho e Gustavo Henrique Gonçalves da Corregedoria da Polícia Civil fazendo a revista.

De acordo com o procedimento investigatório instaurado, sob a alegação de realizar revista e prisão da escrivã, por suposto crime de corrupção, o MP afirma que os agentes policiais “submeteram-na a forte humilhação e violência, utilizando-se de força bruta para algemá-la, despi-la e expor suas partes intimas na presença de quem estivesse na sala, muito embora a mesma jamais se recusasse a ser revistada ou mesmo despir-se, desde que na presença e por outras mulheres”.

Também na segunda-feira, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo informou que o secretário Antonio Ferreira Pinto determinou a saída dos delegados de polícia envolvidos no caso. De acordo com a secretaria, o terceiro delegado de corregedoria que participa da cena, Renzo Santi Barbin, não integra mais os quadros da corregedoria. Ainda foi determinado a instauração de Processo Administrativo Disciplinar para apurar a responsabilidade funcional de cada um deles, assim como do delegado Emílio Antonio Pascoal, que na época era titular da Divisão de Operações Policiais da Corregedoria.

O fato aconteceu em 15 de junho de 2009, em uma delegacia de Parelheiros, na zona sul de São Paulo. Nas imagens, os delegados corregedores aparecem tirando a calça e a calcinha da escrivã à força. A escrivã pede para ser revistada por mulheres, mas o pedido não foi atendido.

Segundo a secretaria, foi expedido um ofício a Procuradoria da Justiça manifestando "perplexidade com o requerimento de arquivamento do inquérito policial instaurado por abuso de autoridade, pelo representante do Ministério Público oficiante, à época, junto ao juízo criminal da Vara Distrital de Parelheiros".

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