MP insiste em acusação por ocultação de Mércia

Ministério Público entrou com recurso no TJ contra a rejeição da denúncia contra Mizael Bispo de Souza e Evandro Bezerra da Silva

AE |

selo

O Ministério Público (MP) entrou com um recurso junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) contra a rejeição da denúncia (acusação formal) por ocultação de cadáver contra Mizael Bispo de Souza e o vigia Evandro Bezerra da Silva.

O corpo da advogada Mércia Nakashima foi encontrado no dia 11 de junho, na Represa Atibainha, em Nazaré Paulista. De acordo com a denúncia, Mizael matou Mércia porque não se conformava com o fim do relacionamento entre ambos, tendo sido ajudado no crime pelo vigia Evandro Bezerra da Silva.

Segundo o MP, a Justiça de Guarulhos, na Grande São Paulo, recebeu a denúncia contra ambos pelo assassinato da advogada, mas rejeitou a acusação de ocultação de cadáver por entender que esse crime foi absorvido pelo delito mais grave de homicídio.

No recurso, feito na sexta-feira (13), o promotor de Justiça Rodrigo Merli Antunes sustenta que "pelas circunstâncias apuradas no inquérito policial, o desiderato dos recorridos (Mizael e Evandro) era não só matar a vítima, como também ocultar o seu corpo". "Caso contrário, não procurariam esconder os vestígios do crime e todo o corpo de delito, arremessando em local ermo e numa represa profunda, não só a vítima, como também seu automóvel e demais bens pessoais", completou Antunes.

O promotor argumenta, ainda, que "a ideia dos agentes era a realização de um crime perfeito, este a não ser descoberto por qualquer pessoa, tanto que, mesmo após intensas buscas policiais, a ofendida (Mércia) somente foi localizada cerca de 18 dias após o seu desaparecimento".

Entenda o caso

Mércia foi vista pela última vez no início da noite do dia 23 de maio, no bairro Macedo, em Guarulhos, na casa da avó. Depois que saiu de lá, não fez mais contato com amigos ou a família.

Mércia e Mizael foram sócios e namorados. Em entrevista ao iG, antes mesmo de saber da morte da irmã, Cláudia Nakashima, disse que o namoro dos dois foi marcado por idas e vindas e muitas brigas. "Quando estava com ele Mércia era outra pessoa. Ela não podia falar com ninguém, vizinhos do prédio até falam que quando ela estava sozinha no elevador cumprimentava; quando estava com ele, abaixava a cabeça”, disse Cláudia.

No dia do sumiço de Mércia, o advogado alegou que foi visitar a filha e um irmão, com quem almoçou e, depois, saiu com uma garota de programa. Um fato que complicou a situação de Bispo é que o rastreador do carro dele mostrou que das 18h40 às 22h38 ele ficou estacionado em frente ao estacionamento do Hospital Geral de Guarulhos, em uma rua a menos de cinco minutos da casa da avó de Mércia.

No dia 11 de junho, um pescador encontrou o corpo de Mércia boiando em uma represa de Nazaré Paulista. No mesmo local, um dia antes, homens do Corpo de Bombeiros de Atibaia já haviam localizado o veículo da vítima, com todos os pertences dela dentro.

O laudo divulgado no último dia 20 de julho pelo Instituto Médico Legal (IML) diz que Mércia foi ferida por disparo de arma de fogo no braço esquerdo, na mão direita e no maxilar. Além desses ferimentos, ainda foi atingida no rosto por um outro objeto, que a perícia não conseguiu precisar qual foi. A causa da morte apontada no laudo é afogado. Para a polícia, ela teria sido jogada dentro do carro, ainda com viva, mas desacordada, na lagoa de Nazaré Paulista. Leia também a cronologia do caso.

    Leia tudo sobre: mérciacrimemizaelevandro

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG