MP denuncia quatro policiais por morte de motoboy

Para Ministério Público, os quatro policiais assumiram o risco de matar em abordagem a motoboy Alexandre dos Santos

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

O Ministério Público de São Paulo denunciou, nesta segunda-feira, quatro policiais militares acusados de espancar e matar o motoboy Alexandre Menezes dos Santos, de 25 anos, na madrugada do dia 8 de maio, na Cidade Ademar, zona sul paulista.  

Os policiais Carlos Magno dos Santos Diniz, Ricardo José Manso Monteiro, Márcio Barra da Rocha e Alex Sandro Soares Machado foram denunciados por homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, meio cruel (asfixia) e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O Ministério Público também os acusou por fraude processual - porque teriam simulado que Alexandre estava armado - e racismo. Juntas, as penas pelos três crimes podem ir de 14 a 39 anos de prisão. Os quatro estão detidos no presídio da Polília Militar Romão Gomes.

Para o Ministério Público, ao contrário do inquérito feito pela Polícia Civil, que classificou o caso como homicídio culposo, os policiais assumiram o risco de matar.

De acordo com a denúncia, "a pretexto de uma abordagem policial de rotina, os policiais agrediram violentamente a vítima com golpes de socos, pontapés e outros meios que inflingiram desnecessário sofrimento físico". Além disso, o MP ressalta que o motoboy já chegou sem vida ao Hospital Municipal Dr. Arthur Ribeiro de Saboya, o que revelaria a "brutalidade desnecessária e fora do comum da agressão".

Racismo

Os promotores de Justiça Maurício Antonio Ribeiro Lopes e Marcelo Rovere, que assinam a denúncia, dizem que a abordagem dos PMs não se deu com o costumeiro respeito às práticas individuais e que, ao longo dos interrogatórios, eles não souberam dizer qual era a infração penal de que o motoboy era suspeito. Por isso, segundo eles, isso reforça a tese de que Alexandre só foi parado "por se tratar de pessoa negra e pobre".

"Não se tem notícia de que abordagem semelhante se faça por policiais militares no Jardim Europa com aquele que eventualmente trafegue em uma Lamborghini sem placas. A ação, além de desastrosa, foi movida indesculpavelmente por preconceito racial e social", defendem na acusação.

Segundo o MP, o jovem apanhou por entre 20 a 30 minutos. Os policiais agiram "impelidos por absoluto desprezo pela vida do jovem pardo, pobre, periférico, desprezando os pedidos da mãe da vítima para que parassem as agressões e ameaçando-a de prisão se interviesse", acrescenta a denúncia.

O caso

Alexandre Santos foi morto quando chegava em casa, na rua Guiomar Branco da Silva, após trabalhar como entregador em uma pizzaria. Em depoimento, os PMs envolvidos no caso alegaram que Alexandre, ao ser abordado, entrou em luta corporal com os soldados, que pediram o reforço de mais dois homens.

Segundo informações do Boletim de Ocorrência (BO), um dos policials aplicou uma gravata no motoboy na tentativa de imobilizá-lo, mas ele teria conseguido se desvencilhar. Então, outro golpe foi dado. Alexandre perdeu os sentidos e desmaiou, morrendo pouco tempo depois.

Em entrevista ao iG , a mãe de Alexandre, a vendedora Maria Aparecida de Oliveira Menezes, de 43 anos, disse que "implorava para [os policiais] pararem de bater" em seu filho. "Eu me ajoelhei, tentei pegar na mão deles (policiais) e implorava para pararem de bater no meu filho. Eles só diziam: 'fica quieta que você pode ser presa (...) Quando perguntei o motivo da agressão ao meu filho, o policial apenas respondeu: 'estava cumprindo o meu trabalho'. O trabalho deles era matar o meu filho".

Na sexta-feira, o Governo do Estado de São Paulo informou que vai indenizar a família do motoboy .  O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, também determinou o afastamento dos comandantes do Batalhão e Companhia aos quais pertenciam os policiais militares que participaram do crime.

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