Motorista do ônibus alega não ter ouvido sinal de alerta de trem

Polícia Civil disse que, segundo o condutor do ônibus, aviso foi emitido apenas quando o veículo já estava na via férrea

Márcio Apolinário, especial para o iG |

AE
Colisão de trem e ônibus em Americana, interior de São Paulo

O motorista Alonso Carvalho, de 51 anos, que pilotava o ônibus que colidiu com um trem, na quarta-feira, foi ouvido pela polícia, no Hospital São Francisco, em Americana, no interior de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, o condutor alegou que ele não ouviu nenhum sinal quando entrou na via. Carvalho disse que o sinal demorou a soar e quando percebeu o trem já estava em sua direção, sem possibilidade de evitar o impacto.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, Alonso Carvalho disse ter perdido a consciência no momento do impacto e acordou quando estava sendo socorrido, caído ao lado dos vagões e das ferragens do ônibus. Ele não lembra quem o socorreu e após o ocorrido só se recorda de estar no hospital, onde tomou conhecimento da morte de seus dois colegas de trabalho.

Na manhã desta sexta-feira, a Polícia Civil instaurou inquérito o acusando por homicídio culposo (sem intenção de matar), pelo acidente que causou a morte de nove pessoas, e feriu outros 15 passageiros. O inquérito foi instaurado pelo 1º Distrito Policial (DP) de Americana, após serem ouvidas testemunhas sobre o acidente, que apontaram o motorista como principal responsável pela colisão, por não ter respeitado as sinalizações da via, que indicavam a chegada de uma composição na linha férrea.

Segundo a Polícia Civil, há indícios suficientes para responsabilizar o condutor pela morte das quase 10 pessoas que ele transportava. Entre as vítimas estão dois cobradores, da companhia Viação VCA, que fazia a linha Cidade Jardim – Zanaga, um deles não estava em serviço.

MP

O Ministério Público Federal em Piracicaba encaminhou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) um ofício determinando que o órgão “fiscalize, imediatamente, as condições de segurança da linha ferroviária no trecho que se situa dentro do perímetro urbano de Americana”.  

Além da ANTT, o MPF também pediu, em outro ofício, informações à empresa América Latina Logística, a ALL, que opera aquele trecho ferroviário, cobrando quais medidas foram tomadas pela operadora em relação ao acidente.

No ofício enviado ao diretor geral da agência reguladora, Bernardo Figueiredo, o MPF cobrou também que informe quais medidas tomou após o acidente. À concessionária ALL, além das informações sobre as medidas tomadas, o MPF requisitou ao presidente da companhia, Paulo Basílio, que acompanhe a apuração do acidente.

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