Motorista de Porsche é indiciado por homicídio doloso

Polícia concluiu inquérito na última sexta-feira. No acidente, a motorista de outro carro, um Tucson, morreu

Fernanda Simas, iG São Paulo |

O inquérito policial do acidente de trânsito envolvendo um carro modelo Porsche e um modelo Tucson , que terminou com a morte da motorista do Tucson, a advogada Carolina Menezes Cintra Santos, foi concluído na última sexta-feira (21), e o empresário Marcelo Malvio Alves de Lima, motorista do Porsche, foi indiciado por homicídio simples doloso (quando há a intenção de matar). O delegado do 15° Distrito Policial Noel Rodrigues de Oliveira Júnior também pediu a suspensão da carteira de habilitação do acusado.

AE
Polícia conslui inquérito sobre acidente entre Porsche e Tucson
Ao inquérito foram anexadas imagens que mostram Lima bebendo na noite do acidente. “O metre do local em que ele esteve antes do acidente relatou que ele estava acompanhado e bebeu pelo menos uma garrafa de vinho”, conta o delegado Oliveira. Quando prestou depoimento, Lima afirmou que esteve em um restaurante com uma amiga e que teria bebido apenas uma taça da bebida .

Na época, o advogado de Lima, Celso Vilardi, afirmou que seu cliente não estava alcoolizado no momento do acidente e que haveria provas disso. Em conversa com o iG , o delegado Noel explica que recebeu uma ficha de atendimento médico do hospital em que Lima foi atendido naquela noite. “O que está anexado no inquérito é uma ficha com a assinatura de uma médica relatando que o paciente sentia dores decorrentes da pressão do cinto de segurança devido à batida e que ele não exalava odor etílico, mas não tem nenhum exame.”

Exame toxicológico

Na última semana, o advogado do dono do Porsche afirmou que um exame toxicológico do Instituto Médico Legal (IML), que estaria anexado ao inquérito, comprovava que a condutora do Tucson teria bebido três vezes mais do que o permitido por lei para quem vai dirigir. Ao iG . o delegado confirmou o recebimento deste laudo, no qual consta que a advogada Carolina estaria com 2,1 mg/l de álcool no sangue.

Contudo, Oliveira explica que foi informado e confirmou que existe um processo físico pós-morte que causa o aumento da quantidade de etanol no corpo. “No exame que eu recebei só constava a presença de 2,1 mg/l, mas não especificava de qual região do corpo da vítima foi retirada a amostra, depois de quanto tempo do acidente ter ocorrido e quais foram as condições de armazenagem da coleta. Isso tudo influencia no resultado, já que existe um processo físico que faz o etanol se multiplicar no corpo da pessoa, principalmente após uma morte violenta.”

Pela Lei Seca, motoristas flagrados excedendo o limite de 0,2 mg/l de álcool por litro de sangue podem receber multa de R$ 957, ter a carteira de motorista suspensa por um ano e o carro apreendido. A medida acima de 0,6 mg/l de álcool por litro de sangue é considerada crime e pode levar à prisão.

Liberdade

O empresário Marcelo Lima está em liberdade desde que pagou uma fiança de R$ 300 mil , mas cumpre medidas cautelares de restrição de liberdade determinadas pela Justiça. Ele está proibido de frequentar bares e festas, é obrigado a ficar em casa no período noturno, deve avisar a Justiça quando deixar o Estado de São Paulo e não pode realizar viagens internacionais.

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