Morte de motoboy é homicídio doloso, diz governador

Goldman diz que episódio mostra despreparo dos policiais. Governador de SP afirmou estar "absolutamente constrangido e revoltado"

iG São Paulo |

O governador de São Paulo, Alberto Goldman, afirmou nesta segunda-feira que a morte do motoboy Alexandre Menezes dos Santos , de 25 anos, "é um fato inaceitável" que mostra o "despreparo" dos policiais. O governador se disse "absolutamente constrangido e revoltado" com o episódio. Alexandre morreu após ter sido abordado e imobilizado por quatro policiais militares na madrugada de sábado, na zona sul de São Paulo. Para o governador, a morte do motoboy "não se justifica de forma nenhuma."

" Trinta dias depois você tem um segundo caso , o qual mostra o despreparo daqueles PMs. Mostra uma atitude que é criminosa. Simplesmente dizer que aquilo é um homicídio culposo não. É homicídio doloso de responsabilidade total. É um crime que foi cometido contra um cidadão e não se justifica de forma nenhuma. Na casa dele, na frente dos familiares. É algo que nós vamos apurar profundamente", afirmou.

Comandantes afastados

Na tarde desta segunda-feira, o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, determinou o afastamento de dois comandantes do batalhão envolvido no caso sob o argumento de que eles não tiveram o controle da tropa. Foram afastados o tenente-coronel Gerson Lima de Miranda, do 22º Batalhão, e o capitão Alexander Gomes Bento, da terceira companhia do 22º BPM. A secretaria determinou ainda abertura de processo administrativo para averiguar o crime de omissão.

Em entrevista ao iG , a mãe de Alexandre, a vendedora Maria Aparecida de Oliveira Menezes, de 43 anos, disse que "implorava para [os policiais] pararem de bater" em seu filho. " Eu me ajoelhei , tentei pegar na mão deles (policiais) e implorava para pararem de bater no meu filho. Eles só diziam: 'fica quieta que você pode ser presa (...) Quando perguntei o motivo da agressão ao meu filho, o policial apenas respondeu: 'estava cumprindo o meu trabalho'. O trabalho deles era matar o meu filho".

Em depoimento, os PMs envolvidos no caso alegaram que Alexandre, ao ser abordado, entrou em luta corporal com os soldados , que pediram o reforço de mais dois homens.

Segundo informações do Boletim de Ocorrência (BO), um dos policials aplicou uma gravata no motoboy na tentativa de imobilizá-lo, mas ele teria conseguido se desvencilhar. Então, outro golpe foi dado. Alexandre perdeu os sentidos e desmaiou, morrendo pouco tempo depois.

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