Moradores protestam contra interdição e remoção de Cingapura

Como forma de protesto, moradores colocaram fogo em latas de lixo e interditaram avenida Zaki Narchi, na zona norte de São Paulo

iG São Paulo |

Moradores do conjunto habitacional Cingapura da avenida Zaki Narchi, localizado na zona norte de São Paulo, queimaram latas de lixo e interditaram a avenida como forma de protesto contra a decisão judicial que determinou que o local seja interditado e as pessoas removidas.

Oslaim Brito/Futura Press
Moradores protestam contra interdição de conjunto habitacional da avenida Zaki Narchi

A Polícia Militar informou que às 16h45 os objetos já tinham sido retirados da via. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), às 18h duas faixas da direita no sentido centro e uma faixa no sentido bairro continuavam interditadas.

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou nesta segunda-feira a interdição do conjunto habitacional e a remoção de todas as famílias residentes nele devido ao risco de explosão, pelo vazamento de gás metano. Para o juiz Valentino Aparecido de Andrade “trata-se, sem dúvida, de uma medida extrema essa de interdição e remoção dos moradores, mas ela é a única que pode eficazmente controlar a situação de risco a que essas pessoas estão submetidas, exigindo-se a intervenção do Poder Judiciário”. A interdição do local deve ocorrer imediatamente, diz texto.

A Secretaria de Habitação (Sehab) manifestou que ainda não foi notificada da decisão e, por meio de nota, disse confiar a respeitar a Justiça. No entanto, pontuou que o cenário do Center Norte e o do Cingapura não podem ser comparados."O conjunto fica à margem do terreno onde existiu uma cava de mineração de areia na década de 1940. A cava foi aterrada com solo, entulho e resíduos sólidos urbanos. O Shopping está integralmente "em cima" do aterro", explica a Sehab. Segundo a secretaria, todas as providências técnicas continuarão a ser implantadas "no menor prazo possível" em respeito aos 2.787 moradores do complexo.

Moradores

Os moradores do conjunto habitacional aguardam uma posição da Prefeitura para saber o que devem fazer. "O Ministério Público disse que a gente tem que sair, mas a Prefeitura falou para a população que ainda não recebeu nenhuma notificação. A situação aqui é a mesma e as pessoas continuam medindo. Uns dizem que tem gás, outros que não, então a gente fica sem saber o que está acontecendo", explica Cléia, dona de um pequeno trailer que usa como lanchonete e moradora do local há quase um ano.

Em conversa com o iG , Sara Barbosa se mostrou despreocupada sobre o que acontece no local. “Eles vieram aqui um dia, abriram uma caixinha de metal que tem no chão aqui do pátio, mediram e agora voltam todo dia”, conta.

Sara afirma que todo dia alguém conversa sobre a existência do gás no Cingapura, mas que não sente medo. “Essa noite eu até sonhei que um prédio estava desabando. Não vou dizer que é totalmente seguro, mas não tenho medo não, conheço o lugar que moro, aqui não era o lixão, era tudo mata e rio”, diz, de forma despreocupada.

    Leia tudo sobre: cingapuraprotestomoradoresinterdiçãoremoção

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG