Morador do Pinheirinho está desaparecido após ocupação, diz advogado

Aposentado Ivo Santos,70, não foi encontrado após ocupação. Denúncias de abuso policial são remetidas à ONU por ONGs

Bruna Fantti, iG Rio de Janeiro |

O advogado Aristeu Pinto Neto, que defende as famílias desalojadas no bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos, interior de São Paulo, afirmou que um morador ainda não foi localizado após a ocupação realizada pela PM no último dia 22 de janeiro.

Ivo Teles dos Santos, de 70 anos, não está em nenhum dos quatro abrigos disponibilizados pela prefeitura e é considerado desaparecido pela família, segundo Neto.

O último registro do paradeiro do aposentado foi a sua internação na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Campo dos Alemães, localizada na zona sul do município, às 13h58 do dia da ocupação. Santos estava com dores e hematomas pelo corpo, mas foi liberado em seguida, de acordo com a assessoria da Prefeitura de São José dos Campos.

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"Não nos disponibilizaram o boletim de atendimento. Mesmo que ele tivesse sido internado, liberar um idoso por conta própria é uma negligência”, afirmou o advogado.

Além de Santos, outras quatro pessoas não foram localizadas de imediato desde a ação policial, entre elas uma criança de 8 anos. Mas, com exceção do aposentado, todos foram encontrados em abrigos, onde estão temporariamente as cerca de 240 famílias desalojadas.

Casos de desencontro entre as famílias e de supostas violações dos direitos humanos feitas pela Polícia Militar durante o despejo dos moradores foram remetidas em um relatório elaborado por ONGs à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA). O documento assinado pelas ONGs Justiça Global, Brigadas Populares, Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência trazem fotos, vídeos e cerca de 60 relatos de moradores desalojados.

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Os movimentos organizam um ato em apoio à comunidade do Pinheirinho, exigindo que a área seja desapropriada e que moradias dignas sejam construídas no local. A manifestação será na próxima quinta-feira (2), às 9h, na Praça Afonso Pena, em São José dos Campos (SP). Na sexta-feira (3), às 17h, haverá outro ato no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro.

Em nota, a Polícia Miltar do Estado de São Paulo (PMESP) refutou as possíveis violações por parte dos cerca de 2.000 agentes que participaram da ação. “Toda a operação foi documentada e acompanhada por Autoridades do Poder Judiciário. Somente armas não-letais foram utilizadas”.

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