Mochila de suspeito de atirar em Miguel foi lavada

Instituto de Criminalística não encontra sinais de pólvora em roupas e mochila de suspeito de balear colega no Colégio Adventista

AE |

O laudo do Instituto de Criminalística (IC) divulgado na sexta-feira confirma que a mochila e o uniforme escolar do menino suspeito de ter atirado acidentalmente em Miguel Cestari Ricci Santos, de 9 anos, no Colégio Adventista de Embu, na Grande São Paulo, foram lavados.

Reprodução
Miguel Cestari Ricci dos Santos morreu após ser baleado na sala de aula do Colégio Adventista
A calça e a camisa escolar estavam úmidas quando foram analisadas, informa o IC. Apesar disso, o delegado responsável pelo caso, Carlos Eduardo Vieira Ceroni, do Setor de Homicídios da Seccional de Taboão da Serra, havia afirmado que mesmo sendo lavados seria possível encontrar vestígios de pólvora se eles existissem, o que não aconteceu. Não foram encontrados sinais na mochila e nas roupas.

Segundo o delegado Ceroni, relatos de testemunhas apontam o menino suspeito como autor do tiro. Os pais do garoto prestaram depoimento, negaram o envolvimento do filho no episódio e disseram não ter armas. A criança completa 10 anos neste sábado.

Indenização

O advogado Francisco Angelo Carbone Sobrino, que representa a família de Miguel afirmou ao iG que entrará na Justiça para pedir uma indenização de R$ 5 milhões à escola. O dinheiro iria para os pais, avós e para a irmã de Miguel, de 5 anos.

Segundo ele, os pais da criança não têm recebido qualquer tipo de atendimento da escola, nem piscológico, nem financeiro. "O pai só chora, não consegue trabalhar. A escola não tem dado cobertura", afirma.

Procurada, a assessoria do colégio disse que os pais é que não aceitam ajuda. "A assistente liga, pede para eles irem à escola, mas eles falam que quando precisar vão. A psicóloga liga quase que diariamente, mas eles não querem. Há uma resistência da parte deles e a gente não pode obrigar", afirma a assessoria.

Contratado pela família da criança, Carbone aponta diversas irregularidades que, a seu ver, foram cometidas pela escola. Um dos pontos é o fato de, após ter sido baleado no dia 29 de setembro, Miguel ter sido socorrido ao Family Hospital, que fica na cidade de Taboão da Serra, distante cerca de 20 km do colégio. "Achei estranho porque a escola levou ao hospital que tinha convênio, não se preocupou em levar no primeiro atendimento ou chamar o Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência]. O pronto-socorro mais próximo fica a 6 km dali", destaca ele e completa que uma escola com 600 alunos deveria ter "pelo menos uma enfermaria".

Carbone aponta também a história relatada por Célia Murim, avó de Gustavo, estudante da mesma série que Miguel, que em agosto teria chegado em casa com um projétil calibre 12 no estojo . Célia afirma que enviou uma carta à professora, pedindo que averiguasse o caso, mas nada foi feito.

"Acharam cartucho antes na escola. Se tivessem apreendido, já saberiam quem levava munição para o colégio e não aconteceria o crime. Toda a situação preventiva não foi feita", critica o advogado, e completa que os pais da criança que atirou acidentalmente em Miguel deveriam ser punidos. "Porte de munição é crime inafiançavel. Se arma chegou a posse do menino, os pais deveriam estar presos. Eles respondem por co-autoria. Como alguém que tem arma fica numa boa, independentemente se escondeu?!", questiona. "Tem muita coisa escondida nesse caso", diz.

Carbone entrou com um mandado de segurança com pedido liminar para ter acesso às investigações e com um pedido de apuração, no qual pede o acompanhamento de um representante do Ministério Público no inquérito.

O caso

Miguel Cestari Ricci dos Santos, de 9 anos, foi atingido por um tiro no abdômen na manhã do dia 29 de setembro, dentro da sala de aula em que cursava a 4ª série no Colégio Adventista. A criança foi socorrida pelo diretor e por funcionários da escola ao Family Hospital, onde chegou por volta das 11h50 em estado gravíssimo e foi levada para o centro cirúrgico, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Sob muita comoção, o corpo foi enterrado no dia seguinte no Cemitério São Paulo, na zona oeste da capital paulista. Na ocasião, o tio e padrinho de Miguel, Hélvio Eduardo Paiva, declarou que a família estava "destruída". " Estou sem rumo. Nada mais importa. Nada vai trazer meu sobrinho de volta ", afirmou.

De acordo com o delegado Carlos Eduardo Ceroni, da delegacia Seccional de Taboão da Serra, responsável pela investigação do caso, Miguel foi atingido por uma bala calibre 38 e a curta distância. Os pais do menino suspeito de ter atirado foram interrogados, mas, confirme Ceroni, negaram que tivessem arma em casa. A arma do crime segue desaparecida. O caso ainda é investigado e os pais do menino podem responder criminalmente caso fique provado que o filho atingiu o colega.

*Com informações da Agência Estado

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