Mizael diz estar em Guarulhos e se defende de acusações por email

Advogado e policial militar reformado é acusado de matar a ex-namorada Mércia Nakashima

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

AE
Mizael Bispo nega crime e está foragido desde o dia 7 de dezembro de 2010
Acusado da morte da ex-namorada Mércia Nakashima, de 28 anos, o advogado e policial militar reformado Mizael Bispo de Souza é considerado foragido da polícia desde o dia 7 de dezembro. Em ao menos dois emails enviados à imprensa alegando inocência, no crime e em supostas ameaças à família da vítima, assina como se estivesse em Guarulhos, na Grande São Paulo, cidade onde morava e trabalhava antes do crime.

"Ele me perguntou se poderia assinar assim. Eu disse só para não colocar endereço ou CEP porque senão iriam buscá-lo”, afirma o advogado dele, Samir Haddad. “Se quisesse fugir, já tinha fugido. Falei para ele nunca sair da comarca, não mostrar interesse em fugir. Agora, se apresentar antes do julgamento do habeas corpus ele não vai”, acrescenta ele, que nega saber onde o cliente está escondido.

Os contatos, diz, partem sempre de Mizael. “Às vezes, ele me liga só para bater papo. Falamos por telefone, mas não o vejo”, diz. Segundo ele, o PM vive longe da família, “confinado em um quarto”, mas com acesso a telefone e internet. “A única vantagem é que não está preso. Se quiser ir embora do Brasil, pode ir. Mas ele não quer, quer continuar vivendo em Guarulhos, com o escritoriozinho dele. Viver a vida que sempre viveu”, afirma.

Nesta quarta-feira, a defesa espera que o caso sofra uma nova reviravolta. Isso porque é grande a possibilidade de que seja julgado o mérito de um habeas corpus pedindo a soltura Mizael. O Tribunal de Justiça confirmou ao iG que a desembargadora Angélica de Almeida está com documento.

A magistrada é a mesma que, em agosto de 2010, revogou a prisão de Mizael. Depois, em dezembro, negou a liminar de um novo habeas corpus e manteve o mandado de prisão, alegando que havia fatos novos “envolvendo familiares da vítima e ameaças formuladas a testemunhas por terceira pessoa” que deveriam ser analisados. Agora, irá julgar o mérito.

A defesa questiona todas as possíveis ameaçadas que justificariam a prisão de Mizael. “Um feirante, primo do Márcio (irmão de Mércia) é ameaçado e acham que pode ter sido Mizael. Olim (delegado que investigou o caso) é ameaçado e acha que pode ter sido Mizael. Acidente com pai da Mércia, acham que foi a mando do Mizael. Tentam jogar nas costas dele”, critica ironicamente Haddad.

Por conta disso, os advogados enviaram à imprensa no último dia 26 um email supostamente escrito pelo PM. Nele, Mizael se defende: “Me preocupa muito a situação da integridade da família Nakashima, uma vez que não pode ocorrer nada com essa família que logo vão à imprensa, insinuando que sou eu o culpado”.

Em outro trecho, diz: “Eu rezo hoje mais por essa família do que pela minha, pois sei que se ocorrer um terremoto ou se um familiar distante da Mércia for vítima das enchentes, ou até mesmo uma gripe forte na família ou em torno dela, vão me culpar, tudo com o intuito de me prejudicar e me incriminar”.

Mizael se refere ao acidente envolvendo o irmão da advogada Márcio e a mãe deles, Janete Nakashima, no dia 23 de janeiro em uma estrada na cidade de São Jesus dos Perdões, interior de São Paulo. Após perceber que era supostamente perseguido por uma moto com uma pessoa armada na garupa, Márcio perdeu o controle do veículo, que caiu em uma ribanceira. Os dois tiveram ferimentos leves.

O advogado da família, Alexandre Sá Menezes, nega que tenham culpado Mizael, mas afirma que a família está insegura. “Estão preocupados, cada dia mais. Infelizmente, a polícia mostra que não tem estrutura para cumprir mandados de prisão. Esperamos que isso chame a atenção das autoridades e alguma coisa possa ser feita”.

Arquivo pessoal
Mércia Nakashima (de azul) desaparecu no dia 23 de maio de 2010. Corpo foi encontrano no dia 11 de julho
Já Haddad pede tratamento ao seu cliente igual ao dado aos demais acusados que ainda não foram julgados. “Ele sempre disse que é inocente e, até que se prove o contrário, tem de respeitar. Entendo motivos da família, mas não dá para não prender dentro de ilegalidade. Virou guerra, vale tudo. Se o Ministério Público der atenção especial a este caso, tem de dar para todos os outros”.

O caso

Mércia foi vista pela última vez no dia 23 de maio de 2010, na casa da avó, em Guarulhos, Grande SP. Depois que saiu de lá, não fez mais contato. No dia 10 de junho, os bombeiros encontraram o carro de Mércia com todos os pertences dela na represa de Nazaré Paulista, interior do Estado. No dia seguinte, o seu corpo foi localizado.

Laudo indica que Mércia morreu afogada após ter sido ferida por disparo de arma de fogo no braço esquerdo, na mão direita e no maxilar. A vítima ainda foi atingida no rosto por um outro objeto contundente que a perícia não soube precisar qual foi.

No dia 7 de dezembro, a Justiça decidiu que Mizael e o vigia Evandro Bezerra Silva, tido como seu comparsa, irão a júri popular. Mizael foi denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima) e ocultação de cadáver. Evandro responde pelos mesmos crimes, apenas sem a qualificadora de motivo torpe.

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