Mizael Bispo e Evandro completam um mês foragidos

Acusados pela morte de Mércia Nakashima, de 28 anos, em SP, são procurados pela polícia. Defesa diz que Mizael vive "confinado"

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

Reprodução
Mizael e Evandro em fichas do site da Polícia Civil de São Paulo, onde estão aparecem como procurados
O advogado e policial militar reformado Mizael Bispo de Souza, acusado pela morte da ex-namorada Mércia Nakashima, de 28 anos, completa um mês, nesta sexta-feira, foragido da Justiça. O vigia Evandro Bezerra Silva, tido pela acusação como seu comparsa, também teve a prisão decretada e é procurado pela polícia.

Mizael e Mércia eram sócios em um escritório de advocacia e namoraram por cerca de quatro anos. Após o término, Mizael teria ficado inconformado e, segundo a família da vítima, insistia para que reatassem e passaou a perseguí-la. 

A prisão preventiva dos dois foi decretada pela Justiça de Guarulhos no dia 7 de dezembro, quando também foi decidido que eles deveriam ir à júri popular pela morte da advogada. Mizael foi denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima) e ocultação de cadáver. Evandro responde pelos mesmos crimes, apenas sem a qualificadora de motivo torpe.

Samir Haddad, advogado de Mizael, conversou com o iG e afirmou ter contato constante com o cliente por telefone. "Às vezes ele me liga só para bater papo". Mas negou saber onde ele está escondido. "Não sei, nem quero saber, falo por telefone, mas o vejo", diz. 

Haddad considera pequena a possiblidade de que Mizael se entregue espontaneamente.  "Ele se diz inocente, não tem coragem de ir preso. E se ele morre na cadeia?", afirma, acrescentando que o acusado já está vivendo confinado. "Ele está preso, não pode sair da onde está. Não está na cadeira, mas está sofrendo quase todas as agruras de uma pessoa presa. É a pena antes de condenação", critica.

O advogado diz ainda que "querem exibir seu cliente como troféu" e defende que não há motivos para este decreto de prisão.  "As testemunhas (que afirmam terem sido ameaçadas e coagidas) mentiram para poder prender Mizael. Ele pode ser tudo, menos burro de ir cutucar onça com vara curta", diz.

A defesa entrou com um pedido de contra mandado de prisão no Tribunal de Justiça de São Paulo, mas a liminar do pedido foi negada pela desembargadora Angélica de Almeida, da 12ª Câmara Criminal da corte, no dia 27 de dezembro. Em outra oportunidade, a magistrada havia revogado o pedido de prisão e concedido liberdade aos dois.

Em nota, o TJ aponta que a decisão aconteceu após a desembargadora verificar novos fatos "envolvendo familiares da vítima e ameaças formuladas a testemunhas por terceira pessoa", que devem ser analisados.

ARQUIVO PESSOAL
Mércia desapareceu no dia 23 de maio e seu corpo foi encontrado dia 11 de junho
Além de ainda aguardarem o pedido de análise do mérito do contra mandado de prisão pelo TJ-SP, os advogados entraram com recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Mizael nega o crime, já Evandro chegou a confessar ter ido buscar Mizael na represa de Nazaré Paulista, no interior do Estado, no dia 23 de maio. Depois, disse ter sido torturado para dar tais declarações. As fotos dos dois constam hoje na lista de procurados do site da Polícia Civil de SP.

O caso

Mércia foi vista pela última vez no início da noite do dia 23 de maio, no bairro Macedo, em Guarulhos, na casa da avó. Depois que saiu de lá, não fez mais contato com amigos ou a família. No dia 11 de junho, um pescador encontrou o corpo de Mércia boiando em uma represa de Nazaré Paulista. No mesmo local, um dia antes, homens do Corpo de Bombeiros de Atibaia haviam localizado o veículo da vítima, com todos os pertences dela dentro.

Laudo divulgado em 20 de julho diz que Mércia foi morreu afogada após ter sido ferida por disparo de arma de fogo no braço esquerdo, na mão direita e no maxilar. Além desses ferimentos, a vítima ainda foi atingida no rosto por um outro objeto contundente que a perícia não soube precisar qual foi.

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