Ministério Público: incêndio no Instituto Butantan foi criminoso

Relatório do MP de São Paulo aponta cinco responsáveis pelo incêndio que destruiu o acervo de répteis do instituto em 2010

iG São Paulo |

O relatório final do Ministério Público de São Paulo sobre a investigação do incêndio no Instituto Butantan em maio de 2010, que destruiu o acervo de répteis, foi entregue nesta quinta-feira para a Justiça de São Paulo e considera que o fogo foi criminoso e não acidental.

Segundo a promotora Eliana Passarelli, o incêndio foi culposo, ou seja, não houve a intenção de se cometer o crime, mas pessoas que deveriam ser responsáveis pela fiscalização e análise de exigências técnicas foram negligentes e imprudentes, por isso assumiram o risco do acidente acontecer no local.

No relatório de 600 páginas, cinco pessoas são responsabilizadas pelo incêndio. Entre elas está o antigo diretor geral do Instituto, Otávio Mercadante. “Ele foi negligente. Como diretor, tinha obrigação de saber o que se passava no instituto, mas foi omisso”, explica a promotora.

Também são responsabilizados o diretor administrativo do instituo, Ricardo Braga, o diretor do Laboratório de Ecologia e Evolução, Otávio Augusto Marques, o responsável pela divisão de engenharia Carlos Almeida Correia e a pesquisadora científica Celma Maria de Almeida Santos. Foi ela quem colocou as cobras no local que pegou fogo.

A promotora afirma que no laboratório em que estavam os répteis, havia caixas de papelão e de plástico. Além disso, ela acredita que os engenheiros responsáveis não observaram normas técnicas. “Foi construído um mezanino de madeira em um local onde existiam centenas de litros de etanol”. O Instituto Butantan não possui Brigada de Incêndio, extintores de incêndio ou alvará do Corpo de Bombeiros, o que reforça a imprudência, segundo a promotora.

O relatório deve ser analisado até a semana que vem e, se o juiz responsável concordar com o escrito pelo Ministério Público, a primeira audiência é marcada.

O que foi perdido com o incêndio do Butantan:
- Cerca de 80% da coleção de serpentes e 50% da coleção de artrópodos
- Cerca de 50% dos tipos de serpentes e 80% dos tipos de artrópodos
- Cerca de 70% da coleção de tecidos
- Documentação sobre a curadoria da coleção
- Cerca de 60% do material emprestado de outras coleções
- Muitas teses, trabalhos e publicações foram prejudicadas ou mesmo inviabilizadas
- Biblioteca científica e histórica, inclusive com obras raras
- Equipamentos de laboratório
- Computadores com parte administrativa da coleção e vários manuscritos

O que se salvou no incêndio do Butantan:
- Livros tombos originais
- Planilha eletrônica
- Escritório de recepção e cadastro de recebimento de animais peçonhentos
- Bastante material ainda não tombado de projetos recentes
- Boa parte das coleções referência de outros répteis e anfíbios
- Coleção osteológica
- Parte administrativa e laboratorial do Laboratório de Artrópodos
- Parte das separatas e poucos livros e revistas
- Talvez os dados dos HDs dos computadores
- Dois ultra-freezers

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