Migrantes do Norte e Nordeste são 30% dos adultos da Grande SP

Apesar da alta concentração, população que deixou o Norte e Nordeste é a que possui o menor nível educacional e que recebe os menores salários

iG São Paulo |

Cerca de 30% da população com idade entre 30 e 60 anos que vive na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) nasceu nos Estados das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Mas segundo o estudo “Perfil dos migrantes de São Paulo”, divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) com base no cruzamento de dados Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2009 (Pnad), esses migrantes também possuem os menores níveis de escolaridade e recebem os salários mais baixos da região que concentra 48% da população estadual e cerca de 10% da população brasileira.

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Apesar do Estado de São Paulo ter registrado queda no número de migrantes nas últimas décadas , o número de habitantes vindos de outras regiões ainda é muito expressivo. Segundo o estudo, aproximadamente 45,5% da população entre 30 e 60 anos da região metropolitana da capital paulista não nasceu no Estado de São Paulo. Cerca de 11% do habitantes da Grande São Paulo nasceu na Bahia, 7,6% nasceu em Minas Gerais e 7,3% em Pernambuco. Os estrangeiros representam cerca de 1%.

Distribuição percentual da população de 30 a 60 anos de idade, residente na Região Metropolitana de São Paulo, por naturalidade

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PNAD 2009/IBGE (Elaboração Ipea)

Escolaridade

De acordo com o estudo, os migrantes do Nordeste, em geral, são os que apresentam menor escolaridade entre todos os migrantes da Região Metropolitana de São Paulo. O problema aparece principalmente entre os baianos, que 59% não concluíram o Ensino Fundamental.

Os estrangeiros superam os paulistas em termos de escolaridade. Aproximadamente 46% têm formação superior, contra apenas 24,3% dos nascidos no Estado de São Paulo. Outros grupos de migrantes ultrapassam a média dos paulistas natos, composto por Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Eestados do Centro-Oeste, em que 27,1% possuem nível superior completo.

Remuneração no trabalho

O comunicado do Ipea também analisou os dados sobre a remuneração no trabalho dos diferentes grupos de migrantes da RMSP. Excluindo-se os estrangeiros, cuja renda do trabalho é muito superior (cerca de R$ 4.000), o estudo distinguiu três classes de trabalhadores entre os migrantes: a classe mais baixa, formada por nordestinos e nortistas, com rendimento médio em torno de R$ 1.000,00; uma classe intermediária, formada por mineiros e paranaenses, com rendimentos em torno de R$ 1.500,00 e uma classe mais alta, formada por paulistas e pelo grupo de migrantes dos outros Estados do Sudeste, Centro-Oeste e Sul, cujos rendimentos giram em torno de R$ 2.000,00.

Rendimento mensal médio do trabalhador na Região Metropolitana de São Paulo (em reais)

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PNAD 2009/IBGE (Elaboração Ipea)

A pesquisa também constatou uma presença desigual dos grupos de migrantes nas diferentes classes sociais. A probabilidade de um nordestino ou nortista frequentar a classe mais alta gira em torno de 5%, enquanto, entre os paulistas, 26% estão nessa faixa. Cerca de 40% dos estrangeiros compõem a classe mais rica.

Mercado de trabalho

Para complementar a análise sobre inserção no mundo do trabalho dos migrantes, o estudo selecionou mais três indicadores: taxa de desemprego, posição na ocupação e horas trabalhadas.

Com relação à taxa de desemprego, os diferentes grupos de migrantes e os paulistas apresentaram valores próximos da média, 6,9%. A exceção aparece entre estrangeiros e mineiros, que apresentaram taxas menores, e pernambucanos, com aproximadamente 8,0%.

Já a posição na ocupação revelou situações bastante peculiares. Os ocupados foram divididos entre os empregados, os não empregados (empregador ou conta-própria) e os sem remuneração. Entre os estrangeiros destaca-se a elevada proporção de trabalhadores por conta-própria. Mais de 13% deles se encontram nessa posição, contra 6,5% dos paranaenses, o segundo grupo no ranking. Os paulistas apresentam 5,6% dos ocupados como empregadores.

Do lado dos empregados, os paulistas apresentam a maior concentração de estatutários, 9,3%, que são aqueles profissionais que passaram por uma aprovação em concursos públicos. Entre os migrantes, o vínculo estatutário é mais fraco nos grupos de nordestinos, que ficam muito aquém dos não nordestinos, inclusive dos estrangeiros. Estes resultados podem estar ligados à baixa escolaridade.

Quando analisado o número de horas trabalhadas, o estudo revela que os estrangeiros são os que mais trabalham: 58,2% deles têm jornada maior que 45 horas semanais. Entre os brasileiros, os cearenses são os que possuem a maior porcentagem de ocupados em jornadas longas de trabalho: 44,4% têm jornada estendida. Os paulistas estão em situação mais confortável, com o indicador na casa dos 33%.

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