Mércia Nakashima foi morta no dia em que sumiu, diz polícia

Após depoimento de pescador, polícia descarta hipótese de que a advogada tenha sido mantida em cativeiro antes de ser morta

iG São Paulo |

ARQUIVO PESSOAL
Mércia desapareceu no dia 23 de maio, mas corpo só foi encontrado no dia 11 de junho
Uma testemunha-chave que pode auxiliar a polícia a desvendar o assassinato da advogada Mércia Mikie Nakashima, de 28 anos, prestou depoimento na segunda-feira na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo. Trata-se de um comerciante que pescava na represa de Nazaré Paulista, interior do Estado, e disse que viu o carro da advogada ser jogado no local na noite de domingo, 23 de maio, mesmo dia em que ela sumiu.

“Ela foi morta no próprio domingo, por volta das 19h30. Não tem cativeiro, não tem nada”, afirmou o delegado do DHPP Antônio Olim, que conduz as investigações. Segundo ele, o homem disse ainda que ouviu dois gemidos finos, que no momento pensou serem de uma criança.

Além disso, a testemunha relatou que viu um homem de altura média a alta descer do veículo pelo lado do motorista. A polícia acredita que essa pessoa empurrou o carro na água.

Conforme Olim, o comerciante não denunciou o fato a ninguém. Somente ao cortar o cabelo em Guarulhos, Grande São Paulo, uma semana depois, ele soube do desaparecimento da advogada. Ele avisou a polícia por denúncia anônima no número 181 e depois falou com a família de Mércia.

O homem foi colocado no programa de proteção a testemunhas. “É uma pessoa humilde, que está com medo das pessoas que estão envolvidas", disse Olim.

A polícia aguarda os exames do Instituto Médico-Legal (IML) realizados no corpo da advogada para saber as causas da morte. As primeiras análises apontam que não há marcas de projéteis ou facadas no corpo de Mércia, mas que ela sofreu uma fratura no maxilar, que pode ter sido causada por agressão. O laudo também deve esclarecer se a advogada foi jogada na represa ainda com vida.

Ameaças

O policial militar aposentado e advogado Mizael Bispo de Souza, de 40 anos, ex-namorado de Mércia, ainda é para a polícia o principal suspeito do crime. A polícia já recolheu da casa dele e encaminhou para análise uma camiseta rasgada e um sapato com terra, que quer comparar se é igual a terra da região da represa.

O advogado de Mizael, Samir Haddad Junior, conversou com o iG e disse ter “200% de certeza” da inocência do cliente e que o crime foi cheio de rastros e pistas. “Não seria feito por uma pessoa fria e calculista como dizem que ele é”.

AE
Irmão de Mércia em frente à represa em que foi localizado corpo de advogada
Haddad afirma ainda que logo nos primeiros depoimentos que prestou à polícia, Mizael contou que a ex sofreu ameaças de um ex-cliente em 2009 por causa do resultado de uma causa trabalhista. “Está nos autos, tem até o nome da primeira pessoa. Ele teria dito que tinha amigos no PCC (Primeiro Comando da Capital) e para ela ficar ligeira”, afirma ele, e completa que por três dias Mizael foi buscar Mércia na saída do trabalho porque ela teria dito que não estava se sentindo segura para ir embora.

O irmão de Mércia, Márcio Nakashima, disse a jornalistas que a irmã nunca comentou sobre qualquer tipo de ameaça com a família. “Um cliente indicava o outro. Se alguém está falando isso ( de ameaças) é mentira”.

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