Medo

Na rua e sob efeito de drogas, jovens procuram se esconder e dar poucas declarações

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Marina (nome fictcio) tem pulseiras no braço e brincos, muitos brincos, na orelha. Às 9h, de uma manhã fria de quarta-feira, dividia com uma colega um dos fios do fone de ouvido conectado a um celular e uma coberta emprestada por outra moradora de rua.

Numa esquina bem em frente ao Teatro Municipal, garotos, a maioria menores de 18 anos, acendem cigarro e demonstram estar sob efeito ainda da droga experimentada durante a noite. Dois deles fazem pares debaixo da coberta e trocam carícias.

Marina é maior de idade. Aceita falar apenas sobre os problemas dos albergues do centro da cidade. Segundo ela, todas as vezes que teve que dormir em uma dessas instituições, saiu de lá com picadas e coceiras. Não conseguia dormir por causa do barulho. Era muita gente estranha junto. Criança chorando, velhos, gente que não sabia quem era.

Há algum tempo, não precisa quanto, vive na rua. De vez em quando volta para casa, em Parelheiros, junto com o irmão, vizinho de colchão. Mas não pode ficar muito tempo no local, conta. Os motivos ela não explica.

Para quem fugiu de casa, fornecer informações parece tarefa perigosa. Ela olha para os lados sempre antes de explicar como dormir em albergue. Quando nota a lente da câmera fotográfica, se esconde. Teme ser reconhecida. E corta o assunto, assim como os colegas, quando vê dois rapazes, brancos e bem vestidos, pararem ao seu lado para saber com quem estava falando. O dia mal começa e já é hora de circular.

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