Médicos acusados de homicídio são interrogados nesta quarta em SP

Terceiro dia do julgamento foi iniciado com o interrogatório de Pedro Torrecillas, um dos reús. Caso condenados, sentença pode chegar a 20 anos

iG São Paulo |

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AE
O médico Rui Noronha Sacramento no primeiro dia de julgamento
Dois dos três médicos acusados de homicídio durante cirurgia de retirada de rins, em Taubaté, no Vale do Paraíba, há 25 anos, são interrogados nesta quarta-feira, terceiro dia de julgamento do caso. Com 20 minutos de atraso, o interrogatório de Pedro Henrique Masjuan Torrecillas começou às 9h20. Em seguida, será interrogado Mariano Fiore Júnior.

Leia também: "Eu não vi morte encefálica em nenhum dos casos", diz denunciante

O outro médico acusado, Rui Noronha Sacramento, foi interrogado na terça-feira (18). Após os réus serem ouvidos, terá início a sessão de debates. Segundo o Tribunal de Justiça, o julgamento deve terminar amanhã. Os três médicos são acusados de homicídio durante cirurgia de retirada de rins, em quatro pacientes ainda vivos, para supostamente serem usados em transplantes particulares. Se condenados, os médicos poderão ficar presos de 6 a 20 anos. 

Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo, além dos depoimentos dos acusados, estão programados também para hoje os debates entre acusação e defesa. Porém, se o depoimento de Fiore Júnior se alongar muito, o julgamento só deve terminar amanhã (20).

No primeiro dia de julgamento, na segunda-feira (17), o médico Roosevelt Sá Kalume, principal denunciante do caso, ressaltou que não viu morte encefálica em nenhum dos pacientes atendidos pelos três acusados. "Dentro da minha concepção eu não vi morte encefálica em nenhum dos casos apresentados. Se eu morrer, só quero ser enterrado quando meu coração parar", disse o médico, que na época era diretor do departamento de medicina da Universidade de Taubaté.

A enfermeira Rita Maria Pereira, que também depôs na segunda, confirmou ter presenciado a retirada dos rins do paciente José Carneiro, que foram colocados numa caixa. Segundo ela, logo depois desse procedimento, o médico Pedro Henrique Torrecillas teria usado um bisturi para cortar o peito de Carneiro, quando o paciente se debatia na tentativa de levantar da maca.

"O doutor Torrecillas pegou um bisturi e enfiou no peito do paciente e disse: 'Viu? É assim que se faz", afirmou a enfermeira. Carneiro teria parado de se bater e a enfermeira, aconselhada por outro médico, a não comentar com ninguém os fatos que havia presenciado.

O caso

Conhecido como caso Kalume, os crimes ocorreram em 1986, mas como os réus foram absolvidos pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e pelo do Conselho Federal de Medicina (CFM), eles continuaram exercendo a profissão.

Em denúncia apresentada à época, o Ministério Público Estadual (MPE) alegou que os laudos médicos atestando as mortes de quatro pacientes eram falsos e simulavam morte encefálica para que fossem extraídos os órgãos destinados a transplantes. Outro acusado de envolvimento no caso, o médico Antônio Aurélio de Carvalho Monteiro, morreu no ano passado.

*com AE e Agência Brasil

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