Médico Roger Abdelmassih é condenado a 278 anos de prisão

Ele foi acusado de ter praticado 56 crimes sexuais contra ex-pacientes. Cabe recurso

iG São Paulo |

O médico Roger Abdelmassih foi condenado nesta terça-feira a 278 anos de prisão por crimes sexuais cometidos contra ex-pacientes. A condenação foi dada pela juíza Kenarik Boujikian Felippe. Ele foi acusado de ter praticado 56 crimes sexuais contra ex-pacientes. Cabe recurso.

O advogado José Luís de Oliveira Lima disse que irá recorrer nesta quarta-feira ao Tribunal de Justiça (TJ). O médico poderá aguardar em liberdade por ter sido beneficiado no ano passado por liminar em habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

AE
Roger Abdelmassih
Abdelmassih chegou a ser preso por alguns meses em 2009. A libertação do médico foi determinada pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes. Em sua decisão de libertar o médico, o ministro Gilmar Mendes afirmou que o pedido de prisão foi feito baseado em dois argumentos: ou prendê-lo ou proibi-lo de exercer a medicina. Como o registro dele no Conselho Regional de Medicina foi suspenso, não há motivos, segundo o presidente do STF, para mantê-lo atrás das grades.

Na época, a Promotoria chegou a receber cerca de 70 relatos de supostas vítimas de Abdelmassih. Mulheres que passavam por tratamento contra infertilidade na clínica dele o acusam de ter cometido atos libidinosos, como beijar à força e passar as mãos no corpo delas durante atendimentos.

As vítimas disseram ter surpreendido o médico tocando-as quando começavam a despertar dos efeitos da anestesia que recebiam para os procedimentos de extração ou de implantação de óvulos.

O médico nega as denúncias e alega que em todos seus procedimentos eram acompanhados por enfermeiras e atribui as acusações a alucinações sofridas pelas pacientes pelos efeitos da anestesia

Pelo menos um caso de suposto estupro foi investigado pela polícia. No depoimento que prestou na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher, no centro de SP, em junho de 2009, Abdelmassih manteve-se calado durante todo o tempo.

O advogado Oliveira disse à reportagem,  que a magistrada ignorou as provas que poderiam inocentar Abdelmassih. "Respeito a decisão, mas confesso que fiquei surpreso com a magistrada. Ela desprezou os depoimentos de 200 familiares e pacientes, do doutor Roger e as preliminares processuais que apresentei", afirmou o advogado.

Desde julho o médico está impedido de exercer sua profissão. Ele teve seu registro médico cassado por unanimidade pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp).

* Com informações da Agência Estado

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