Médica nega fraude para retirada de rins de pacientes vivos

Três médicos de Taubaté são acusados de extrair rins das vítimas ainda vivas para usar em uma rede de transplantes, usando diagnósticos falsos

iG São Paulo |

AE
O médico Pedro Henrique Masjuan Torrecillas é um dos acusados do crime
A médica Gilzélia Fernandes Batista foi a primeira a ser ouvida no julgamento do caso Kalume , no qual três médicos de Taubaté, cidade do interior de São Paulo, são acusados de terem provocado a morte de quatro pacientes entre setembro e dezembro de 1986. Segundo a acusação, eles usavam diagnósticos falsos de morte encefálica para extrair os rins dos pacientes vivos e utilizá-los em uma rede de transplante de órgãos. Na época, a médica era responsável pelo departamento que armazenava os prontuários do hospital onde faleceram as pessoas citadas no processo.

"Não houve sumiço de documentos e não tenho conhecimento de alterações nos prontuários", disse. Gilzélia contou que, por causa da repercussão do caso, guardou os prontuários em um cofre de materiais radioativos, no subsolo do hospital, onde funcionava o serviço de radioterapia.

A enfermeira Rita Pereira foi a segunda testemunha a depor nesta segunda-feira, no julgamento que teve início às 9h30. O terceiro a ser ouvido foi o médico Roosevelt Sá Kalume, que na época era diretor da Faculdade de Medicina de Taubaté, e foi quem denunciou o caso ocorrido há 25 anos, quando acusou uma equipe de médicos do antigo Hospital Santa Isabel da retirada de órgãos de pacientes. Segundo ele, as cirurgias foram realizadas sem autorização, sempre durante a noite e pelos mesmos médicos.

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O julgamento pode demorar mais que os dois dias previstos inicialmente, já que foram ouvidas, até às 16h, apenas três das 17 testemunhas relacionadas no processo. Segundo informações do Fórum Central de Taubaté, a sessão de hoje será encerrada às 19h e retomada terça-feira (18) pela manhã.

O caso

Os médicos Pedro Henrique Masjuan Torrecillas, Rui Noronha Sacramento e Mariano Fiore Júnior são acusados de quatro homicídios dolosos contra os pacientes Miguel da Silva, Alex de Lima, Irani Gobo e José Faria Carneiro. Depois da operação, o neurocirurgião e legista Fiori concluía como causa da morte exclusivamente as lesões cerebrais experimentadas pelas vítimas (traumatismo craniano, raquimedular ou aneurisma), ocultando a causa direta e eficiente das mortes: a retirada dos rins dos pacientes.

Os prontuários médicos e os laudos das angiografias cerebrais relativos a esses pacientes foram apreendidos e submetidos à análise de peritos, que concluíram que as vítimas não tinham diagnóstico seguro de morte encefálica apta a amparar a realização das cirurgias de retirada dos rins.

Também foram denunciados pelos mesmos crimes os médicos Antônio Aurélio de Carvalho Monteiro, que faleceu no ano passado, e José Carlos Natrielli de Almeida, que acabou impronunciado a pedido do Ministério Público.

* Com informações da Agência Estado e da Agência Brasil

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