"Me senti humilhada", diz mãe de Eloá após discussão

Ana Cristina foi repreendida pela advogada de defesa de Lindemberg. "Não senti arrependimento nele", disse sobre reencontro

Carolina Garcia, iG São Paulo |

A mãe de Eloá Pimentel, Ana Cristina Pimentel, foi dispensada de ser ouvida nesta terça-feira durante o julgamento de Lindemberg Alves, acusado de matar sua filha após cárcere de mais de cem horas, em Santo André, em 2008.

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Carolina Garcia
Ana Cristina Pimentel, nesta terça-feira, em frente ao fórum

A dispensa de Ana Cristina se deu após muita confusão. Primeiramente, nesta segunda-feira, a advogada defesa de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, havia conseguido incluir na relação de testemunhas de defesa os depoimentos de Ana Cristina e de Ewerton Douglas, irmão mais novo de Eloá.

Mas nesta terça-feira, quando a mãe de Eloá entrou no plenário para depor, Ana Lúcia afirmou que não queria que ela fosse interrogada naquele momento e que era a defesa que decidia pela ordem dos que seriam ouvidos pela Justiça. Nesse momento começou uma discusão entre a advogada, a acusação e a juíza sobre a ordem dos depoimentos

 "Me senti humilhada", afirmou a mãe de Eloá após ser repreendida pela defesa.

Após algumas idas e vindas, defesa e acusação entraram em um acordo: apenas o irmão da jovem, Ewerton Douglas, prestaria depoimento. A mãe de Eloá não seria ouvida como testemunha e foi dispensada ficando livre para acompanhar o julgamento na plateia.

Logo após ser dispensada, foi iniciada a oitiva de Ewerton Douglas, o irmão de Eloá, que durou aproximadamente 45 minutos. Ana Cristina acompanhou todo o depoimento de Ewerton que, por ser menor de idade, exige a presença de um responsável.

Após o depoimento de seu filho, Ana Cristina voltou a conversar com os jornalistas e falou mais sobre o que esperava do julgamento. Questionada se estaria preparada para ouvir Lindemberg contar sua versão dos fatos, Ana Cristina não hesitou. "Eu quero ouvir ele [Lindemberg] falar. Quero que ele fale a verdade e não o que os advogados mandarem ele falar.”

"Não entendo de lei, mas ele tem que continuar preso. Não o vejo como um monstro. Olho para ele como assassino já que ele tirou a vida da minha filha." Ana Cristina reforçou aos jornalistas a ordem que estabeleceu em sua casa proibindo a presença de Lindemberg após o rompimento do namoro com sua filha. 

"[Após o fim do namoro] ele estava muito agressivo. Em casa, eu e meu marido conversamos com ele. Ele jurou que deixaria minha filha em paz. Mas tive que proibir, temia por ela. Todos que entram na minha casa são bem recebidos, por isso o tratava como um filho. Eu achava que eu o conhecia", disse.

Sobre o que achou ao reencontrá-lo e se havia notado alguma diferença física no reú após três anos, a mãe de Eloá disse que a cadeia está fazendo bem para o acusado. "Ele está bem. Estão tratando bem dele na cadeia. Acho que lá deve ser a casa dele então".

O encontro entre Lindemberg e Ana Cristina era um dos mais esperados neste segundo dia de julgamento. Ao entrar no plenário, por volta das 11h20, Ana Cristina apresentava aparência firme e, logo após se acomodar na cadeira das testemunhas, trocou olhares com Lindemberg.

Nesse momento, pode-se notar que Lindemberg move os lábios e tenta se comunicar com ela, mas foi alertado por uma assistente de defesa a não falar nada. Aos jornalistas, Ana Cristina inicialmente afirmou que não havia entendido a fala de Lindemberg. Porém, após algumas perguntas, a mãe de Eloá se limitou a dizer que o reú pedia que não falasse mal dele em juízo.

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