Mães não sabem como usar cadeirinhas em caminhonetes

Ausência de regulamentação para classe de veículos deixa dúvidas na compra do equipamento

Márcio Apolinário, especial para o iG |

A lei das cadeirinhas, que exige o transporte de crianças de até sete anos e meio em equipamentos especiais, entra em vigor na próxima quarta-feira (01) e tem deixado dúvidas também em motoristas que não estão enquadrados nessa regulamentação.

O Ministério Público Federal (MPF) informou, nesta sexta-feira (27), que tem recebido uma série de reclamações e pedidos de esclarecimentos sobre o uso adequado das cadeirinhas em caminhonetes, por ausência de uma regulamentação que oriente os condutores nesse tipo de situação.

Segundo o procurador Jefferson Aparecido Dias, responsável pelo caso, o maior número de reclamações é de mulheres. “Embora essas mães não sejam obrigadas, por lei, a usarem esses equipamentos, elas não sabem qual tipo de cadeirinha devem comprar para garantir a segurança de seus filhos. Por isso, esses tipos de veículos devem ser incluídos na regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), e foi justamente para evitar esses tipos de problema que entrei com ação civil pública contra o Contran”, explica o procurador.

A ação foi movida na quarta-feira (25), com pedido de liminar, exigindo que o Contran seja obrigado a regulamentar, ainda que de forma educativa e temporária, o uso das cadeirinhas em veículos de transporte coletivo, de aluguel, táxis, veículos escolares e demais veículos com peso bruto total superior a 3,5 toneladas, no qual se enquadram as caminhonetes.

Ainda de acordo com Aparecido Dias, a grande preocupação dessas mães não é cumprir a lei. “Essas mulheres não estão preocupadas em tomar multa por falta do uso do equipamento, elas estão preocupadas com a segurança de seus filhos, e o Contran tem sido omisso com elas”, afirma.

De acordo com o gerente de marketing da Alô Bebê, Milton Bueno, existe um déficit de equipamentos para esse segmento de veículos. "As caminhonetes são um tipo de carro com muitas particularidades, e nenhuma cadeirinha foi projetada para esses veículos. Não existe um padrão para projetar esses equipamentos, muitas pessoas adaptam as que existem à venda", relata o executivo.

Vendas aquecidas

Segundo o gerente de marketing, com a sanção da lei, as vendas do setor tiveram um salto maior que o esperado, causando inclusive problemas de estoque. "O crescimento entre julho e agosto já ultrapassa 30%, e esperamos que esse aumento se mantenha pelo menos por mais dois meses", comenta Bueno.

A procura pelas cadeirinhas, que chegam a custar até R$ 600, fez a companhia aumentar o seu estoque em 40% no último mês, após sofrer com problemas de reposição. "Nós sabíamos que as vendas cresceriam, mas a procura tem sido maior do que imaginávamos, por muito pouco não ficamos sem produtos à venda, no início de julho", conclui.

O diretor executivo da Infanti, Dárcio Leite Sanchez, confirma o aumento de demanda. "Esse crescimento já era esperado, e o movimento começou logo no início de julho. Nesse período o crescimento foi de 40% e a tendência é que continue em crescente no próximos meses", explica.

De acordo com o executivo, a maioria das vendas tem acontecido para a faixa etária entre 4 e 7 anos. "Os pais de crianças nessa idade tinham em mente que o cinto de segurança era o suficiente para garantir a segurança de seus filho, mas a lei agora mostra o contrário", finaliza.

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