Mãe de adolescente que pilotava jet ski pode ser processada por fugir

De acordo com o delegado responsável pelo caso, ela pode responder por favorecimento pessoal por ter sido vista saindo da casa com o filho

Fernanda Simas, enviada a Bertioga |

A mãe do adolescente suspeito de pilotar o jet ski que atingiu e matou uma menina de três anos em Bertioga pode ser processada. De acordo com delegado Maurício Barbosa Júnior, que investiga a morte de Grazielly Almeida Lames,  a polícia tem a comprovação de que a mãe do adolescente estava com ele na casa de Guaratuba e fugiu com o garoto após o ocorrido.

Câmeras de segurança do condomínio na praia registraram a saída. "Ela (mãe) pode responder por favorecimento pessoal por ter sido vista saindo da casa com o filho, mas isso é na esfera jurídica", afirmou Júnior.

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Até o momento, cinco testemunhas foram ouvidas, entre elas o caseiro da residência onde estava o adolescente. A polícia ainda não sabe o parentesco do proprietário da casa com o adolescente.

"O caseiro disse que o adolescente pediu para ele tirar o jet da carreta. Quando ele voltava com a carreta para a casa, ouviu gritos e viu os dois [adolescentes] caindo do jet", disse o delegado mencionando o depoimento.

Fernanda Simas
Jet ski que atingiu e matou menina de três anos; o nome 'Augusto' aparece na lateral esquerda da embarcação
O outro adolescente ainda não foi identificado. Além disso, o delegado disse não ter a informação sobre quem é o dono do jet ski.  O jet ski passará por perícia. De acordo com a polícia, um perito náutico será responsável pela avaliação e deve ser feita uma reconstituição no local do acidente.

"Não recebemos a informação da Capitania dos Portos, só vimos um adesivo em auto relevo com o nome Augusto, que é o proprietário da casa", explicou Júnior.

O delegado contou também que a mãe de Grazielly, Cirleide Lames, afirmou em depoimento que viu um vulto, que seria o jet ski, e não pode dizer se alguém estava pilotando.

"Queria que a mãe dele colocasse o filho dela no lugar do minha filha e aí ela saberia o que é sofrimento", disse Cirleide em coletiva.

“Se tivesse tido socorro mais cedo, certamente eu estaria com a minha filha”, completou. Ela afirmou que a família do adolescente não entrou em contato e não prestou nenhum tipo de socorro.

Júnior acredita, até o momento, que o homicídio tenha sido culposo (sem intenção de matar) e que o dono da embarcação responderá apenas patrimonialmente se ficar provado que o adolescente o pegou sem autorização.

Para Ariel de Castro Alves, vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o dono da embarcação e os pais do adolescente só responderão como co-autores do homicídio culposo se for demonstrada que a conduta deles efetivamente contribuiu de alguma forma com o ocorrido, "como de ter autorizado e entregue as chaves do jet ski, ajudar a carregar o veículo até a água, se estivessem assistindo e estimulando o jovem de alguma forma, inclusive a trafegar entre os banhistas ou fazer manobras."

Caso

Grazielly Lames, 3 anos, estava na areia da praia de Guaratuba, próxima ao mar, quando foi atingida pelo jet sky, por volta das 18h15 de sábado (18).

Testemunhas afirmam que viram o adolescente de aproximadamente 14 anos conduzindo o jet ski. Ele teria perdido controle da embarcação, que seguiu desgovernado para a praia, atingido a criança.

Reprodução
Criança tinha apenas 3 anos e foi atingida por jet ski enquanto brincava
A mãe da menina, a auxiliar de panificação Cirleide Rodrigues de Lames, de 24 anos, contou não ter escutado barulho, nem ter visto o jet ski se aproximar. Segundo a mãe, após o atropelamento, o adolescente pulou de veículo e deixou o local.

Imagens: Veja criança antes de ser atingida por jet ski em Bertioga

Grazielly foi enterrada na manhã desta segunda-feira (20) na cidade onde morava, Arthur Nogueira, região de Campinas, no interior de São Paulo. O corpo chegou ao velório do cemitério municipal por volta das 20h30 de domingo e foi sepultado às 10h.

A família de Grazielly é representada pelo criminalista José Beraldo, que atuou como advogado da família de Eloá . Segundo ele, a demora do resgate, a omissão de socorro e a fuga da família do adolescente serão questionados.

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