Litoral norte de SP bate recorde de praias impróprias

Praias consideradas as mais limpas do Estado apresentam quantidade de esgoto suficiente para fazer mal à saúde

AE |

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O litoral norte de São Paulo registrou em 2010 o maior número de praias impróprias para banho em dez anos. Nem as de apelo turístico, como Toque Toque Grande e Baleia, em São Sebastião, foram poupadas da bandeira vermelha. É o que mostra levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo a partir dos boletins semanais da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) desde 2001. Foram consideradas as 39 primeiras semanas do ano. 

A piora das praias do litoral norte, consideradas as mais limpas do Estado, contrastou com uma melhora no litoral sul, onde a balneabilidade sempre foi mais problemática. Dos 83 pontos medidos em São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba, em geral um por praia, apenas 27 não receberam bandeiras vermelhas em 2010. A cor indica que a água está com quantidade de esgoto suficiente para fazer mal à saúde - ou, mais especificamente, de uma bactéria que indica presença de esgoto. 

O número de praias sempre limpas foi menor do que no começo da década - em 2002, 65 pontos de medição foram aprovados. São Sebastião teve o pior desempenho e só 5 de 29 pontos não foram reprovados pela agência ambiental do Estado. Caraguatatuba e Ubatuba também tiveram os piores desempenhos da década. Se levado em consideração o total de bandeiras vermelhas, 2008 foi pior do que este ano, mas o número de praias atingidas foi menor. 

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), responsável pelo tratamento de esgoto, e a Cetesb, pelas questões ambientais, dizem que o maior número de praias com bandeira vermelha está associado a chuvas fortes e fenômenos pontuais, como, por exemplo, uma ressaca entre maio e junho.

Nessa ocasião, uma das praias que ficaram impróprias foi a de Toque Toque Grande, que recebeu quatro bandeiras vermelhas. "Tomei um susto quando vi a bandeira porque é uma das praias mais bonitas e limpas do litoral", diz Edson Pavão, presidente da sociedade de moradores e dono de hotel em Toque Toque Grande. A Cetesb, porém, diz considerar a balneabilidade do litoral norte boa.

Este ano, contudo, foi o menos chuvoso dos últimos cinco anos, segundo medição pluviométrica feita entre janeiro e junho na Base Aérea de Santos, no Guarujá. A unidade é considerada referência para o litoral por institutos de meteorologia. A chuva é fator importante, pois leva sujeira a córregos que deságuam nas praias. A Sabesp afirma ainda que ocupações ao longo da Rio-Santos, com ligações de esgoto irregulares, podem ter contribuído para a piora. 

A deficiência do sistema de esgoto é um problema. A região recebeu poucas ações do Programa Onda Limpa se comparado com o litoral sul, que recebeu nos últimos anos sete estações de tratamento. As do litoral norte estão com obras em andamento. A situação se reflete em números: Ilhabela, até o início de setembro tratava só 4% do esgoto. 

Para Eduardo Hipólito do Rego, ambientalista e ex-secretário do Meio Ambiente de São Sebastião, os dados coletados pela reportagem só traduzem "a situação desesperadora" do sistema de esgoto do litoral norte. "Quase não há estações de tratamento. A geografia é também um complicador, pois as praias são separadas por serras. Bombas podem falhar." 

Segundo ele, vários condomínios desrespeitam o meio ambiente. "Se há um curso de água passando ao lado, há prédios que já aproveitam para despejar o esgoto", diz o ambientalista.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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