O jovem Iago Vilera de Oliveira, que também foi mantido refém pelo motoboy Lindemberg Alves, foi a primeira testemunha do julgamento a permitir a presença do réu durante seu depoimento.
Assim, Lindemberg voltou para a sala do júri acompanhado por policiais para ouvir o depoimento.
O acusado de matar a ex-namorada Eloá Pimentel passou a maior parte do depoimento indiferente, com as pernas abertas e com os ombros baixos. Ele apenas olhava para Iago e para a juíza, mas jamais direcionou o olhar para a plateia e os jurados.
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No entanto, Lindemberg ficou visivelmente incomodado quando Iago disse que ele disparou contra a multidão e um policial.
Iago relatou que Lindemberg foi até a janela do banheiro com Nayara nos braços e efetuou os disparos. Ao voltar para sala ele afirmou aos reféns que era “muito bom de mira e quase acertou um policial”.
Nesta parte do depoimento, Lindemberg começou a coçar a cabeça, se movimentar, lamber a boca e engolir seco, aparentemente irritado com o que Iago disse ao júri.
Intenção de matar
Depois, o réu se acalmou e o depoimento continuou. Assim como Nayara, Iago e Vitor de Campos, o amigo da vítima que também foi mantido refém, disseram que Lindemberg tinha intenção de matar Eloá desde o princípio.
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Segundo Iago, no dia do sequestro, o motoboy dizia que mataria Eloá e só não sabia se mataria todo mundo também e se cometeria suicídio depois. No entanto, tinha uma certeza, que Eloá não sairia viva do apartamento.
Iago e Vitor confirmaram a história de que Eloá foi agredida no ponto de ônibus por Lindemberg e que ele passava na escola de moto ameaçando os amigos.
Segundo Vitor, Lindemberg agrediu a todos. Ele colocou os quatro no quarto, deu uma coronhada no Iago, deu uma coronhada em mim e a todo momento dizia que se a Eloá não fosse mais dele não seria de mais ninguém.
“Lindemberg falou para Eloá: ‘Você me deixou. Vai me obrigar a acabar fazendo alguma besteira’. E ela disse: ‘Então eu volto com você. E ele respondeu: ‘Assim eu não te quero de volta, você não vai ser de mais ninguém’”, disse Vitor em depoimento.
Iago e Vitor disseram que não foi surpresa o modo como terminou o sequestro porque, segundo eles, toda hora Lindemberg dizia que iria matar Eloá.
“Teve um momento que ele pediu para a gente colocar as músicas que a gente mais gostava para ouvir no computador porque seriam as últimas músicas que iríamos ouvir”, disse Iago.