"Legislação era muito precária", diz Cetesb sobre construção do Center Norte

Prefeitura de São Paulo determinou interdição do shopping nesta sexta-feira devido ao risco de explosão com o vazamento de gás metano

iG São Paulo |

AE
Complexo Center Norte tem até 72h para a suspensão das atividades. Lar Center e Carrefour também foram interditados
O shopping Center Norte, segundo maior de São Paulo em movimentação, por onde passam 80 mil pessoas por dia, tem recebido multa diária de R$ 17.450,00 desde o último dia 19 e será interditado nesta sexta-feira por correr risco de explodir.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), órgão vinculado à Secretaria do Meio Ambiente e comandada pelo neto de Mário Covas, Bruno Covas (PSDB), pré-candidato à prefeitura de São Paulo em 2012, colocou o shopping na lista de "Áreas Contaminadas Críticas" devido ao vazamento de gás metano no terreno.

Na última terça-feira (27), a Prefeitura determinou a suspensão total das atividades do Center Norte, dos estacionamentos locais, do Carrefour e do Lar Center. Além disso, técnicos da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente estiveram no local e aplicaram um auto de multa no valor de R$ 2 milhões pelo não atendimento às exigências da Cetesb.

O desentendimento da Cetesb com a administração do shopping Center Norte teve início em 2003, quando foi feita a primeira vistoria no local a pedido da, na época, Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigava a responsabilidade por contaminação e o passivo ambiental na cidade.

Os vereadores e técnicos questionavam a eficácia dos respiros instalados para a eliminação do gás metano na área do estacionamento e nas calçadas do lado externo do shopping. O gás é consequente da construção ter sido feita em terreno onde funcionava um depósito de lixo.

Sobre isso, o diretor de Controle e Licenciamento Ambiental da Cetesb, Geraldo do Amaral Filho, explica que na época da construção, em 1984, quando o prefeito de São Paulo era Mário Covas (PSDB), o controle ambiental não era tão rígido como é hoje. “A legislação vigente nessa época era muito precária nesse assunto, não estabelecia esse tipo de monitoramento do solo que temos agora, com a lei de áreas contaminadas, de 2009”, diz o diretor. Hoje, o empreendedor é obrigado a emitir um relatório ambiental, que deve ser aprovado pelo Estado para a liberação da construção.

De acordo com o diretor, o governo de São Paulo só tomou conhecimento do problema do lixão do Center Norte em 2004, quando a Câmara Municipal emitiu um relatório sobre a investigação que correu em 2003 em torno da questão. Segundo ele, a partir de então a Cetesb iniciou uma pesquisa com fotos de 1950, com o lixão, e de 1978, com seu aterramento.

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