Justiça suspende remoção de moradores de Cingapura

Juiz pediu que Cetesb e Prefeitura enviem laudos e relatórios sobre as ações realizadas no conjunto habitacional

iG São Paulo |

AE
Drenos para dissipar gás metano são instalados no Cingapura
A Justiça de São Paulo decidiu não remover as famílias do conjunto habitacional Cingapura da avenida Zaki Narchi, na zona norte de São Paulo, localizado próximo ao shopping Center Norte, fechado na semana passada pela prefeitura devido ao risco de explosão pela presença de gases inflamáveis no subsolo.

A decisão foi tomada depois de reunião realizada nesta tarde, entre o juiz Valentino Aparecido de Andrade, da 10ª Vara da fazenda Pública, a Prefeitura de São Paulo, técnicos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e o Ministério Público.

Na decisão, o juiz informou que medições da Cetesb não indicaram a presença do gás metano em qualquer área confinada do conjunto habitacional. “A adoção de determinadas medidas técnicas pela prefeitura de São Paulo, sobre tudo as que ocorreram nos últimos dias (em especial, o monitoramento mais constante, e também a construção de 20 drenos , iniciada esta construção na data de ontem), o certo é que o risco foi lenificado”, diz na decisão.

Segundo o procurador chefe do município, Celso Coccaro, presente na reunião, o representante da Cetesb deixou claro que a contaminação do Cingapura é diferente da que atingiu o shopping. De acordo com ele, a prefeitura também assegurou que está adotando medidas necessárias para resolver a questão. “( A partir dos argumentos da Cetesb ), o Ministério Público concordou com a suspensão da remoção dos moradores do local."

Pela manhã, a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) começou a instalar drenos para o escoamento do gás metano existente no subsolo do conjunto habitacional. De acordo com o órgão, serão instalados 20 drenos em locais determinados em um estudo que vem sendo feito há dois anos. Também será colocado um exaustor por onde o gás será retirado. A previsão é de que o trabalho seja concluído em 20 dias. A secretaria informou ainda que o estudo demonstrou que não há gás confinado no local.

Na segunda-feira (10), o juiz Andrade havia pedido a interdição do conjunto habitacional e a remoção imediata das 700 famílias que residem ali considerando o risco de explosão pelo vazamento de gás metano, mas a Prefeitura entrou com um pedido de reconsideração.

Protestos

Durante a tarde e o começo da noite de ontem, moradores do Cingapura queimaram latões de lixo e interditaram a avenida Zaki Narchi como forma de protesto contra a decisão judicial. As pessoas disseram que não deixariam suas casas e exibiram cartazes com os dizeres “aqui não tem gás”.

Moradores

Em conversa com o iG , moradores se mostraram despreocupados sobre o que acontece no local. “Eles vieram aqui um dia, abriram uma caixinha de metal que tem no chão aqui do pátio, mediram e agora voltam todo dia”, conta Sara Barbosa.

Ela afirma que todo dia alguém conversa sobre a existência do gás no Cingapura, mas que não sente medo. “Essa noite eu até sonhei que um prédio estava desabando. Não vou dizer que é totalmente seguro, mas não tenho medo não, conheço o lugar que moro, aqui não era o lixão, era tudo mata e rio”, diz, de forma despreocupada.

* Com informações da Agência Brasil

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