Justiça pede escolta para juíza alvo de bomba em SP

Polícia investiga quem poderia ter enviado bomba para magistrada; dois funcionários ficaram feridos ao manusear o pacote

AE |

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O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) requisitou escolta policial para a juíza de Rio Claro, no interior do Estado, alvo de uma bomba que explodiu ontem no fórum da cidade. Dois funcionários ficaram feridos ao manusear o pacote endereçado à juíza da 3.ª Vara Cível, Cynthia Andraus Carretta. Segundo a Polícia Militar, uma estrutura feita com pregos e parafusos envolvia os explosivos. O artefato foi colocado dentro de uma caixa embrulhada para presente. Cynthia não estava no prédio.

Atentado: Bomba explode e fere dois em Fórum de Rio Claro - SP

Os dois funcionários feridos foram levados pelo Serviço de Atendimento de Urgência e Emergência ao Hospital da Unimed. Um dos homens sofreu cortes e queimaduras nas mãos, tórax e rosto e passou por uma cirurgia de emergência. O outro teve ferimentos leves na mão e no peito e ficou em observação.

Além de Cynthia, outras duas magistradas também terão escolta policial, mas elas não tiveram seus nomes divulgados por questão de segurança. O responsável por enviar o pacote para Rio Claro não foi identificado até o momento. A polícia tenta levantar nomes de possíveis inimizades que a juíza possa ter criado em razão do trabalho. O material passará por perícia.

Investigação

A Polícia Civil de Rio Claro investiga quem poderia ter enviado uma bomba para a juíza. A secretaria perguntou a um guarda civil metropolitano, que estava na recepção, quem teria deixou o embrulho ali, mas ele não soube responder. Depois, o embrulho foi entregue a outros dois guardas que, ao abrirem o pacote, acionaram o explosivo.  A bomba caseira estava em um pacote com desenhos natalinos e era feita com pregos, parafusos e rolemãs. Na caixa, havia ainda um Papai Noel, que foi usado para acionar o explosivo.

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, divulgou nesta sexta-feira (13) uma nota de apoio e solidariedade à juíza. Ele cobrou das autoridades a imediata apuração dos autores do atentado e a punição dos culpados. "Não é admissível que um juiz ou juíza, no exercício de suas funções, sejam intimidados e levados a trabalhar sob medidas excepcionais de proteção", disse ele, na nota.

"A Ordem dos Advogados do Brasil se solidariza com a juíza diretora do Fórum de Rio Claro, São Paulo, Cyntia Andraus Carreta, e com os funcionários feridos no atentado terrorista perpetrado nesta quinta-feira contra a Justiça brasileira, cuja autoria precisa ser apurada com toda urgência", diz a nota.

Ele citou ainda o assassinato da juíza de Niterói (RJ) Patricia Acioli, em agosto de 2010, e disse que ataques como esses demonstram que a escalada de ousadia de bandidos e organizações criminosas constitui uma ameaça real ao Judiciário.

Para o presidente da OAB, a lei é "a garantia da cidadania e sem ela prevalece o poder do mais forte, do medo, da força e do terror, como o que assistimos agora". “Expressando o sentimento da sociedade brasileira, a OAB se põe ao lado da magistratura para cerrar fileiras em defesa de uma Justiça forte, independente e garantidora do Estado Democrático de Direito", finaliza Ophir.

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