Justiça nega pedido do MP para prender Mizael Bispo de Souza

Na terça-feira, peritos afirmaram que a alga presente no sapato de Mizael é a mesma de represa onde o corpo de Mércia foi achado

iG São Paulo |

AE
Mizael segura foto em que aparece feliz ao lado da ex-namorada Mércia
O Tribunal de Justiça de São Paulo negou, nesta quarta-feira, um pedido de embargo de declaração feito pelo Ministério Público, que contestava o habeas corpus dado ao policial militar aposentado e também advogado Mizael Bispo de Souza, acusado de matar a ex-namorada Mércia Nakashima, de 28 anos.

A decisão foi dada pelos desembargadores Angélica de Almeida, Breno Guimarães e Zico Mañas. Desta forma, nada muda e Mizael permanece respondendo ao processo em liberdade. No dia 2 de junho, além de Mizael, o vigia Evandro Bezerra da Silva também foi indiciado pelo assassinato de Mércia.

Na terça-feira, a Polícia Técnico Científica entregou à Polícia Civil um relatório com mais de 200 páginas com a conclusão da perícia do caso, que traz mais elementos para incriminar Mizael. De acordo com o perito Renato Pattoli, que comandou os trabalhos, foi encontrado em um sapato de Mizael a mesma alga presente na represa de Nazaré Paulista , no interior de São Paulo, onde o corpo e o carro da advogada foram encontrados no dia 11 de junho.

“A alga encontrada no sapato pertence à represa. Ela se reproduz apenas na margem; na beirada não sobrevive por excesso de luz e, no fundo, pela falta”, afirmou Pattoli.

Segundo Pattoli, na sola do calçado do acusado também foi localizados um microscópico fragmento de osso, mancha de sangue e chumbo. No entanto, por se tratar de uma quantidade muito pequena, não foi possível realizar exames de DNA para comprovar se os resíduos eram de Mércia.

A defesa de Mizael Bispo afirmou hoje que o laudo é leviano e inconclusivo. Para o advogado Sammir Haddad Junior, o laudo não especifica qual a alga pode ser encontrada apenas naquela represa. "Essa alga pode ser encontrada no Brasil inteiro, ele (o laudo) não pode afirmar que Mizael estava lá", disse.

As testemunhas do caso serão ouvidas durante a audiência de instrução no dia 18 de outubro, em Guarulhos.

Entenda o caso

Mércia foi vista pela última vez no início da noite do dia 23 de maio, no bairro Macedo, em Guarulhos, na casa da avó. Depois que saiu de lá, não fez mais contato com amigos ou a família.

Mércia e Mizael foram sócios e namorados. Em entrevista ao iG, antes mesmo de saber da morte da irmã, Cláudia Nakashima, disse que o namoro dos dois foi marcado por idas e vindas e muitas brigas. "Quando estava com ele Mércia era outra pessoa. Ela não podia falar com ninguém, vizinhos do prédio até falam que quando ela estava sozinha no elevador cumprimentava; quando estava com ele, abaixava a cabeça”, disse Cláudia.

No dia do sumiço de Mércia, o advogado alegou que foi visitar a filha e um irmão, com quem almoçou e, depois, saiu com uma garota de programa. Um fato que complicou a situação de Bispo é que o rastreador do carro dele mostrou que das 18h40 às 22h38 ele ficou estacionado em frente ao estacionamento do Hospital Geral de Guarulhos, em uma rua a menos de cinco minutos da casa da avó de Mércia.

No dia 11 de junho, um pescador encontrou o corpo de Mércia boiando em uma represa de Nazaré Paulista. No mesmo local, um dia antes, homens do Corpo de Bombeiros de Atibaia já haviam localizado o veículo da vítima, com todos os pertences dela dentro.

O laudo divulgado no último dia 20 de julho pelo Instituto Médico Legal (IML) diz que Mércia foi ferida por disparo de arma de fogo no braço esquerdo, na mão direita e no maxilar. Além desses ferimentos, ainda foi atingida no rosto por um outro objeto, que a perícia não conseguiu precisar qual foi. A causa da morte apontada no laudo é afogado. Para a polícia, ela teria sido jogada dentro do carro, ainda com viva, mas desacordada, na lagoa de Nazaré Paulista. Leia também a cronologia do caso.

“A defesa deve estudar o relatório, pode ser que contrate um outro perito, mas me sinto à vontade para dizer que o sapato esteve no local do crime”, acrescentou. Conforme a perícia, os sapatos foram entregues limpos e lavados, e ainda assim foi possível encontrar vestígios. As roupas de Mizael também foram periciadas, mas nada foi localizado nelas.

Dentro do veículo de Mércia foram encontrados dois projéteis, sendo que uma análise microscópica mostrou que em um deles havia fibra da blusa da advogada. Para a perícia, os disparos aconteceram dentro do carro de Mércia e, em seguida, o veículo foi empurrado para a represa. O autor dos disparos estaria no banco do passageiro enquanto a vítima no do motorista. “O banco do motorista estava bem pra frente, compatível com o tamanho do corpo de Mércia”, afirmou Pattoli. Leia também a cronologia do caso .

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