Justiça nega habeas corpus para vigia do caso Mércia

Evandro Bezerra Silva afirmou que foi torturado pela polícia para incriminar o ex-namorado de Mércia, Mizael Bispo de Souza

iG São Paulo |

AE
O vigia Evandro Bezerra da Silva
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ) negou o pedido de habeas corpus feito pela defesa do vigia Evandro Bezerra Silva. Ele está preso desde o dia 9 de julho, quando foi capturado por polícia de Sergipe acusado de participação na morte da advogada Mércia Nakashima. Em depoimento em São Paulo, o vigia disse que foi torturado para acusar o advogado e ex-namorado de Mércia, Mizael Bispo de Souza, pelo assassinato. Mizael é o principal suspeito da polícia pelo crime.

Na liminar, os advogados de Evandro, José Carlos da Silva e Raphael Araújo da Silva alegaram que "a suspeita de mera participação impede que a prisão temporária perdure por mais de cinco dias, como ocorre na espécie, fato que constitui coação ilegal, pleiteando seja assegurado ao paciente aguardar, em liberdade, a tramitação do feito". Com a decisão da desembargadora Angélica de Maria Mello de Almeida, da 12ª Câmara do Tribunal de Justiça de São Paulo, o vigia terá de cumprir a prisão temporária.

Segundo a polícia de São Paulo, no depoimento colhido no último dia 19, quando disse que foi torturado em Sergipe, o vigia se recusou a responder outras perguntas sobre o caso e disse que só falará na presença de um juiz. Para a polícia sergipana, Silva teria afirmado à polícia que o ex de Mércia vinha planejando executar a advogada desde o início de maio por se sentir rejeitado. A advogada foi encontrada morta no dia 11 de junho em uma represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, após ficar 19 dias desaparecida.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de Sergipe contestou a declaração Evandro Bezerra Silva. "A SSP/SE lamenta que tal atitude de Evandro, evidentemente orientado por sua defesa, no sentido de prejudicar as boas investigações que vem sendo realizadas", informou o documento.

De acordo com o programa "Fantástico", da Rede Globo, peritos da Polícia Civil de São Paulo concluíram que a terra encontrada em um par de sapatos do advogado e policial militar reformado Mizael Bispo de Souza é compatível com a da represa onde o corpo foi encontrado.

Segundo o programa, para realizar a diferenciação, peritos compararam os cristais encontrados na terra do sapato com os da represa. Isso pode comprovar que, ao contrário do que Bispo alega ele esteve no local onde a ex-namorada foi morta. A análise pericial será entregue à Polícia Civil.

Ele é até o momento o principal suspeito no assassinato da ex e já foi indiciado por homicídio doloso triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Para a polícia, o crime foi premeditado e Bispo matou a advogada por ciúme e por não se conformar com o término da relação. Ele nega todas as acusações.

Na última quinta-feira, um dia após ter a prisão temporária revogada pelo juiz Jayme Garcia dos Santos Jr, da Vara do Júri de Guarulhos, e deixar de ser considerado foragido, Bispo voltou a aparecer. Passou pela casa onde mora e pelo escritório que mantém em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Veja imagens do caso Mércia Nakashima:

Entenda o caso

Mércia foi vista pela última vez no início da noite do dia 23 de maio, no bairro Macedo, em Guarulhos, na casa da avó. Depois que saiu de lá, não fez mais contato com amigos ou a família.

Mércia e Mizael foram sócios e namorados. Em entrevista ao iG, a irmã de Mércia, Claudia Nakashima, disse que o namoro dos dois foi marcado por idas e vindas e muitas brigas. Quando estava com ele “Mércia era outra pessoa”. “Ela não podia falar com ninguém, vizinhos do prédio até falam que quando ela estava sozinha no elevador cumprimentava; quando estava com ele, abaixava a cabeça”, diz Cláudia.

No dia do sumiço de Mércia, o advogado diz que foi visitar a filha e um irmão, com quem almoçou e, depois, saiu com uma garota de programa. No entanto, o rastreador do carro dele mostrou que das 18h40 às 22h38 ele ficou estacionado em frente ao estacionamento do Hospital Geral de Guarulhos, em uma rua a menos de cinco minutos da casa da avó de Mércia.

No dia 11 de junho, um pescador encontrou o corpo de Mércia boiando em uma represa de Nazaré Paulista. No mesmo local, um dia antes, homens do Corpo de Bombeiros de Atibaia já haviam localizado o veículo da vítima, com todos os pertences dela dentro.

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